Revista O Cruzeiro
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Letrista e arranjador, Vadico ganha biografia

O livro 'Pra Que Mentir - Vadico', de autoria de Gonçalo Júnior, será lançada em agosto pela editora Noir

Amilton Pinheiro, O Estado de S.Paulo

04 Maio 2017 | 03h00

O jornalista e escritor Gonçalo Júnior já tinha escrito um livro sobre a música dos anos 1930, uma de suas paixões, quando lançou a biografia do sambista Assis Valente. A essa época, já era apaixonado pelas canções de Noel. “Meu pai adorava Noel Rosa, e desde criança escutava com ele o Poeta da Vila e os cantores dos anos 1930 e 1940”, diz Gonçalo Júnior, no início da conversa, para explicar inicialmente por que decidiu fazer uma biografia sobre Vadico, pseudônimo de Oswaldo Gogliano (1910-1962), que ficou conhecido como o melhor compositor que Noel Rosa teve, coautor de 10 de suas músicas, entre elas, os clássicos Feitiço da Vila, Conversa de Botequim, Feitio de Oração e a que dá título ao livro, Pra Que Mentir.

“Mas a motivação principal era revelar que Vadico foi muito mais do que um dos parceiros de Noel Rosa, por mais que tenha sido o maior. Ele foi um dos grandes arranjadores do seu tempo, inclusive era admirado por Vinicius de Moraes e Tom Jobim, morou quase 15 anos nos Estados Unidos, trabalhando primeiro com o Bando da Lua, que acompanhava Carmen Mirando lá e, depois, quando deixou o grupo. Logo em seguida, se uniu à bailarina Katherine Duhram e sua companhia, uma das mais importantes dos Estados Unidos formada só por negros.”

Antes de voltar ao Brasil em definitivo, em 1954, Vadico entrou na Justiça nos Estados Unidos para que seu nome fosse incluido como coautor das músicas que fez com Noel Rosa, que não estava sendo reconhecido. “Foi uma briga que ele travou aqui no Brasil quando decidiu retornar de vez, e se desgastou muito com isso”, fala Gonçalo Júnior, que descobriu nas suas pesquisas para seu biografado um fato revelador: que o seu retorno definitivo aconteceu por conta de dois enfartes que ele teve nos Estados Unidos. “Eu sabia que tinham sido três enfartes, o último que o matou aconteceu quando gravava na Colúmbia em 11 de junho de 1962, mas achava que todos tinham sido no Brasil”.

A experiência nos Estados Unidos e o contato com o jazz e com as big bands americanas, conta Gonçalo Júnior, sofisticaram seus arranjos e suas composições. Uma das façanhas de Vadico foi ter sido convidado pelo próprio Walt Disney para arranjar algumas músicas do filme Alô Amigos. “Ele era um grande artista e realizou coisas notáveis nos Estados Unidos e, principalmente, no Brasil”.

Outra curiosidade em relação ao Vadico que Gonçalo Júnior encontrou em suas pesquisas foram os shows que ele realizou na boate Plaza, no Rio de Janeiro, quando reservava o palco com um desconhecido chamado Roberto Carlos. “Era a época inicial do futuro rei, quando ele ainda tentava encontrar um gênero para cantar e imitava João Gilberto”.

Para um dos maiores pesquisadores sobre Bossa Nova e outras bossas, Ruy Castro, Vadico foi, de fato, o maior parceiro de Noel Rosa. “Até mesmo por ter sido um grande músico”.

PRA QUE MENTIR - Vadico 

(COLEÇÃO MÚSICA DE BOLSO)

Autor: Gonçalo Júnior

Editora: Noir (150 págs., R$ 39,90)

Lançamento em agosto.

 

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