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Arquivo pessoal/ Divulgação
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Leitores ganham dinheiro indicando promoções de livros na internet

Sugerindo suas obras preferidas, leitores faturam renda extra e até mensal

Jullie Pereira, Especial para o Estadão, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2021 | 20h00

MANAUS - Leitores ávidos de clássicos e quadrinhos estão encontrando na internet uma forma de ganhar dinheiro indicando suas obras preferidas. Cadastrando seus perfis como “associados” de grandes empresas, eles criam uma rede de pessoas que compartilham dos mesmos gêneros literários e ganham uma porcentagem a cada vez que alguém realiza uma compra usando o link da promoção divulgada. 

Monique Braga, de 22 anos, é estudante de ciências contábeis em Manaus e seus gêneros literários favoritos são fantasia e terror. Ela começou a alimentar uma página nas redes sociais com resenhas dos livros que colecionava. Depois de um tempo, foi alertada por uma amiga que poderia ganhar uma renda divulgando as promoções que ela própria usava.

Por mês, ela consegue tirar um valor de R$ 300 a R$ 600, o que ajuda no pagamento das contas e no investimento para iluminação, câmera e microfones. Quando consegue fazer alguém comprar livros mais caros, a comissão é maior.

“Eu comprava muito e eu sempre falava ‘ ah, eu comprei esse livro aqui por vinte e cinco reais’ e as pessoas queriam saber onde eu encontrei. Então, toda vez que tem uma ‘promoçãozinha’, a gente coloca nas redes sociais e vê quantas pessoas entraram no link”, explica.

Entre as marcas que tentam agregar associados para que façam propagandas de seus produtos estão a Amazon, Magazine Luiza e Grupo B2W. As comissões mínimas variam de 5% até 15% e podem aumentar dependendo do serviço divulgado.

De janeiro a julho de 2020, o aumento de associados na Magazine Luiza foi de 200%, comparado ao mesmo período de 2019. Neste ano, o aumento foi de 25%. De acordo com a empresa, a maioria dos associados são homens, eles representam 51%, enquanto as mulheres representam 49%. 

Um desses homens é o Éder Bordalo, de 37 anos, colecionador de quadrinhos e formado em engenharia elétrica, ele trocou a profissão para se dedicar às indicações de compras. Hoje, sua renda é toda baseada na divulgação dos links de vendas de sete empresas. Ele mora em São Bernardo do Campo, São Paulo. 

Com uma rotina diária, Éder é acordado por um despertador todas as noites, às 22h, para começar o garimpo das melhores promoções. Essa busca não termina antes das 1h da manhã.

“Eu coleciono quadrinho desde noventa e nove e chegou uma época que os preços dos quadrinhos começaram a ficar mais elevados. Eu fui atrás de alternativas para comprar, para continuar colecionando e foi quando eu descobri essa parte de afiliação”, disse.

As indicações ficaram tão sérias que em 2017 ele abriu um CNPJ. Junto com a esposa iniciaram uma rede de pessoas que compram usando os links divulgados no Instagram, Twitter, Telegram, WhatsApp e afins.

“As pessoas acham que é uma coisa simples, que é só fazer uma imagem qualquer e jogar o link na página, mas não é assim. Eu deixo de ter horas com minha esposa, porque encaro isso como meu trabalho”, disse Éder.

Case de sucesso

O trio de amigos Bruno Zago, de 35 anos, Alexandre Callari, de 44 anos, e Daniel Lopes, de 35 anos, donos do canal Pipoca e Nanquim, no Youtube, criado em 2009, começaram o trabalho de associados em 2015, com foco em gibis. A cada novo vídeo lançado eles colocavam os links de divulgações das compras que eram recomendadas por eles.

Percebendo que vendiam muito bem os produtos, o trio resolveu começar a guardar o dinheiro e investir o resultado na fundação da própria editora, localizada em São Paulo. Com um ano de associação, o acúmulo foi de R$ 50 mil.

“A nossa conversão era muito alta. De cem por cento das pessoas que clicavam no link, vinte por cento comprava. O primeiro mês de todos foi um negócio que a gente não imaginava, porque entramos sem saber o que ia dar”, diz Bruno Zago.

O dinheiro possibilitou a compra do direito autoral da primeira obra, Espadas e Bruxas, do espanhol Esteban Maroto. Desde lá, não pararam. 

Eles conquistaram tantos seguidores que algumas das HQ’s publicadas pela editora Pipoca e Nanquim esgotam em questão de minutos após o lançamento da pré-venda. Há três anos eles são eleitos a melhor editora do país pelo Troféu HQMix, barrando grandes empresas como a Editora Abril.

O sucesso, no entanto, só foi possível após dedicarem mais de seis anos como youtubers e outros anos como editores de quadrinhos na editora Panini, onde os três trabalhavam antes. 

Bruno Zago alerta que esse sucesso não deve ser romantizado. “A pessoa que vê e acha que vai ganhar a vida com isso, não vai. Nós já tínhamos muitos anos de bagagem quando viramos associados. Já tinha um público pra clicar nos links. Então, dá muito trabalho e nem sei se o resultado é certo também”, explica. 

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