John Green, Stephen Colbert e 'The New York Times' se juntam aos críticos da Amazon

Polêmica envolvendo a empresa de Seattle e a gigante editora Hachette ganhou força nos últimos dias

O Estado de S. Paulo

06 Junho 2014 | 09h42

O fenômeno de vendas John Green e o escritor, humorista e apresentador de TV Stephen Colbert são duas das novas peças no quebra-cabeças montado pela Amazon e pelo grupo editorial Hachette (um dos Big 5, os cinco maiores do mundo). E as notícias não são nada boas para a multiloja de Seattle: além dos dois famosos escritores, o editorial do jornal The New York Times também fez críticas ao modelo de compra de livros das editoras que a Amazon tenta implantar.

"O que está em jogo é se a Amazon será capaz de livre e permanentemente provocar editores e condená-los à não existir", disse Green no início desta semana. Ele comentava exatamente o imbróglio envolvendo a Amazon e a Hachette, editora que tem nomes nos EUA como J. K. Rowling e James Patterson. A Amazon restringiu vendas e passou a demorar nas entregas para consumidores de livros da editora, tudo isso por desentendimentos em relação a contratos de compra e venda de e-books.

John Green, que atualmente é publicado pela Penguin Random House, disse que o alcance e qualidade da literatura americana reside em boa parte no que os editores fazem. "É bastante inoportuno ver a Amazon se recusar a reconhecer a importância dessa parceria", desabafou.

Também no seu show desta quinta-feira, Stephen Colbert apresentou um quadro hilário de três minutos em que explica a situação, claro, se botando na posição de autor da Hachette. "Eu costumava gostar muito da Amazon, já que era o único lugar em que você podia comprar tudo vestindo apenas sua roupa de baixo, mas, agora, eu não estou apenas bravo com a Amazon. Estou bravo Prime", brincou, se referindo ao pacote especial (Prime) da Amazon em que os clientes recebem qualquer produto em até dois dias.

Colbert explicou: "Amazon está tirando os botões de pré-venda de livros da Hachette, como o novo de J. K. Rowling, The Silkworm. Uma tática perversa do CEO da empresa, Jeff Bezos, ou devo dizer Lord Bezomort?". O apresentador também falou sobre os próprios livros, que são editados pela Hachette. "O que me preocupa é que a Amazon é responsável por 50% das vendas de livros nos EUA, é isso mesmo, 30 livros por ano!", brincou. No final da sua fala, Colbert mostrou os dois dedos do meio para a empresa.

Ainda nesta semana, um editorial do jornal The New York Times sugeriu que a disputa vai fazer muitos clientes repensarem seu relacionamento com a Amazon, uma empresa que sempre se orgulhou de ser amigável com o consumidor. "Seria melhor se a Amazon simplesmente largasse suas táticas agressivas contra os editores e gastasse energia alcançando acordos com a Hachette", diz o editorial.

"Essa disputa parece ser o tipo de negociação difícil que sempre ocorre quando distribuidores e produtores tentam descobrir como dividir os lucros de um negócio relativamente novo, como os e-books", continua o texto, ressaltando que mesmo as editoras têm problemas em negociar os próprios lucros com autores e agentes literários. É o capitalismo.

"Porém, quando uma companhia domina as vendas de certos produtos, como a Amazon em relação a livros, ela tem o poder de distorcer o mercado em seu favor e possivelmente violar as leis antitruste." O editorial também sugere que as agências reguladoras do governo possam interferir no caso, como aconteceu em 2012 em relação à Apple a cinco grandes casas editoriais que conspiraram para fixar e subir os preços de e-books - justamente uma resposta contra a tática de descontos agressivos adotada pela Amazon.

Em um comunicado amigável divulgado semana passada, a Amazon disse que está, de fato, comprando menos livros da Hachette, e não está disponibilizando pré-vendas para os produtos da editora. "Infelizmente, apesar de todo o trabalho dos dois lados, não conseguimos alcançar um acordo aceitável", diz o comunicado, ressaltando a seriedade dos executivos da Hachette e o profissionalismo das negociações. "Apesar de estarmos trabalhando duro para encontrar uma solução o quanto antes, não estamos otimistas que isso será resolvido logo."

"Se você precisar de um dos títulos afetados rapidamente, lamentamos a inconveniência e encorajamos a buscar um livro novo ou usado de um de nossos parceiros ou de um de nossos concorrentes", sugere o comunicado, sincero.

"Nós também levamos a sério o impacto que esse tipo de negócio tem sobre os autores. Nós oferecemos, para a Hachette, bancar 50% do pool de um autor, para mitigar o impacto que essa disputa tem sobre os royalties. Nós fizemos isso com a editora Macmillan. Esperamos que a Hachette também aceite."

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