Phil Mccarten/Reuters
Phil Mccarten/Reuters

John Green, de 'A Culpa é das Estrelas', volta com 'Tartarugas Até Lá Embaixo'

Em novo livro, autor discute sua escrita e o amor

Entrevista com

John Green

Mary Quattlebaum, WASHINGTON POST

02 de novembro de 2017 | 18h49

Já se passaram quase seis anos que John Green publicou o best-seller instantâneo A Culpa é das Estrelas e três desde que este se tornou um filme de grande sucesso. Agora, John Green volta com um novo livro, Tartarugas Até Lá Embaixo. Nessa história intensa, Aza Holmes, de 16 anos, esforça-se para resolver o mistério do desaparecimento do bilionário pai de um amigo, enquanto tenta também controlar seu transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Green, de 40 anos, também enfrenta o TOC, e sua representação sensível e tocante certamente o conecta à sua legião de fãs. Por e-mail, Green discutiu sua escrita e o amor romântico.

Quando você começou este romance? 

É difícil dizer, porque abandonei várias histórias ao longo dos últimos seis anos e depois livrei-me delas por partes. Mas a maior parte do livro foi escrita nos dois anos depois que me recuperei de um período de indisposição. Saindo dessa fase, pensei muito a respeito do relacionamento entre a reflexão e o eu, e também sobre o que o amor pode e não pode fazer.

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Aza Holmes compartilha o sobrenome com Sherlock Holmes. Como você se relaciona com a mística em torno de Holmes?

Adorei Sherlock Holmes enquanto crescia (e ainda adoro). Mas, como uma pessoa que luta com obsessão, acho estranho que a obsessão de Sherlock costume ser associada aos seus poderes de observação. Isso pode ser válido para as experiências de algumas pessoas, mas, no meu caso, a obsessão me faz um detetive terrível, porque quando não estou bem, luto para compreender algo sobre o mundo fora de mim. Então, eu queria escrever um mistério onde o distúrbio mental da detetive Aza é nitidamente inútil - não só a impedindo de resolver o mistério, mas também desviando o enredo da própria história.

Você tem sido muito aberto a respeito de sua própria ansiedade e transtorno obsessivo-compulsivo e um defensor de pessoas portadoras de doenças mentais. Quais foram os pontos positivos e os desafios na construção de uma protagonista feminina com um problema como o seu?

Aza e eu compartilhamos um transtorno de saúde mental, mas somos muito diferentes de outras formas: ela é extremamente silenciosa, e eu falo sem parar quando estou nervoso. Ela vive uma tristeza pela qual nunca passei. Escrever é sempre uma tentativa de empatia radical. Minha esposa e minha editora leram dezenas de rascunhos desta história ao longo dos anos, e a orientação delas foi inestimável quando se tratava de imaginar Aza.

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Em muitos romances para jovens adultos, uma relação romântica em desenvolvimento conduz toda a história. Neste romance, você explora profundamente o amor do seu eu interior e o amor entre amigos e familiares também. Por que isso é importante?

O amor romântico é realmente importante para muitas pessoas, mas não é o único tipo de amor que importa. Aza está preocupada com as questões sobre seu eu interior e como ela pode estabelecer um sentido coerente de si mesma, quando é, com tanta frequência, incapaz de escolher seus pensamentos, e eu penso que uma das formas em que alguém aprende a imaginar o eu interior de outra pessoa como um substantivo singular é amando e sendo amado. Eu queria explorar como isso acontece - através do amor romântico, mas também através de outros amores. / TRADUÇÃO DE CLAUDIA BOZZO

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