John Banville ganha o prêmio Príncipe de Astúrias

Escritor irlandês, colecionador de distinções literárias ao redor do mundo, foi agraciado nesta quarta-feira com o galardão espanhol

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo, com agências internacionais

04 Junho 2014 | 10h58

O escritor irlandês John Banville, autor de O Mar, venceu ontem o 34.º Prêmio Príncipe de Astúrias de Literatura, um dos mais importantes da Europa, e vai receber  50 mil e uma escultura do catalão Joan Miró em cerimônia que será realizada em outubro.

O júri, reunido na cidade de Oviedo, na Espanha, destacou o escritor por sua “inteligente, profunda e original criação novelesca”, e também elogiou as obras sob o pseudônimo Benjamin Black, “autor de assombrosas e críticas histórias policiais”. Banville utiliza esse pseudônimo para escrever histórias de suspense ambientadas na Dublin dos anos 1950.

“A prosa de John Banville abre-se a deslumbrantes espaços líricos por meio de referências culturais, nas quais se revitalizam os mitos clássicos e a beleza dá as mãos à ironia”, acrescentou o júri na ata.

O escritor, nascido em 1945, que publicou seu primeiro romance, Long Lankin, em 1970, recebeu em 2005 seu prêmio mais importante por O Mar - o Man Booker Prize. 

No Brasil, o autor tem livros publicados pelo selo Biblioteca Azul, da Globo Livros. Em julho, a editora lança os inéditos Eclipse e Sudário. Os livros fazem parte de trilogia ao lado de Luz Antiga, lançado em 2013 na Festa Literária Internacional de Paraty.

“É um grande prazer e uma grande honra, sei a grandeza deste prêmio, tanto cultural quanto historicamente, e, sinceramente, estou muito orgulhoso que meu nome esteja na lista dos grandes escritores que o receberam”, disse Banville, ontem, em comunicado. Ele acrescentou que está emocionado por ser premiado no país de Cervantes, “pai do romance de ficção moderno”.

Eclipse foi traduzido pelo tradutor do Estado Celso Paciornik, que, há poucos dias, entregou o livro revisado para a editora. “Banville é, sem dúvida, um estilista poderoso”, diz Paciornik. “Ele carrega a tradição irlandesa de James Joyce e George Bernard Shaw.” 

O romance é a primeira parte da trilogia que conta a história do ator Alexander Cleave, que abandona a carreira artística para retornar à casa da infância. Narrado em primeira pessoa, trabalha o tempo todo com a memória, tema caro à ficção do irlandês.

“Já é sabido que nossas lembranças não reproduzem exatamente os fatos”, afirmou o escritor ao Estado, em julho de 2013. “Criamos modelos nos quais nos apoiamos, mas que constantemente são negados quando temos a chance de conferir: os olhos daquela pessoa não são daquela cor ou o quarto não estava daquele jeito. A memória é, portanto, uma sucessão de modelos em transformação.”

Banville coleciona vários prêmios: além do Man Booker Prize, já venceu o Franz Kafka, o prêmio irlandês da PEN, e outros americanos e italianos. Colaborador do New York Times, se une agora a escritores como Maria Vargas Llosa, Philip Roth e Doris Lessing, todos vencedores do Príncipe de Astúrias. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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