João Ubaldo é enterrado no Rio com homenagens

Escritor foi sepultado no Mausoléu da Academia Brasileira de Letras (ABL), no Rio

Clarissa Thomé, Mariana Durão, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2014 | 14h38

RIO - Em cerimônia íntima, reservada para amigos mais próximos, acadêmicos e a família, o escritor João Ubaldo Ribeiro foi enterrado no Mausoléu da Academia Brasileira de Letras (ABL), no Cemitério São João Batista, pouco antes das 10 horas deste sábado, 19. 

João Ubaldo vestia o fardão da ABL. Por baixo da veste pomposa, tinha uma camiseta da Ilha de Itaparica, na Bahia, onde nasceu há 73 anos, e por sobre o caixão, uma camiseta do bloco carnavalesco Areia, que desfila no Leblon e o homenageou no último carnaval com o enredo “Ubaldo, o João do Leblon”.

Foi homenageado ainda com coroas de flores enviadas por editoras, jornais, políticos e até os donos do bar Tio Sam e da padaria Rio Lisboa, locais que costumava frequentar no Leblon e eram cenário de boa parte das crônicas que publicava nas edições dominicais do  Estado e de O Globo.

O corpo do autor de clássicos como  Sargento Getúlio e Viva o Povo Brasileiro começou a ser velado na tarde de sexta-feira, no Salão dos Poetas Românticos, na ABL (centro do Rio). O enterro foi transferido para a manhã de sábado para que a filha Manuela, que mora em Munique, na Alemanha, pudesse acompanhá-lo. Ela desembarcou às 5 horas no Aeroporto Internacional Tom Jobim e chegou à ABL carregando as malas.

Emocionada, não falou com a imprensa. Juntou-se aos irmãos Emília, Bento e Francisca e à viúva de João Ubaldo, a psicanalista Berenice Batella.

Pouco antes das 9 horas, ainda na ABL, uma missa foi celebrada pelo monsenhor Sérgio Costa Couto, capelão do Outeiro da Glória. Ele falou sobre a personalidade do escritor. “Sempre encantou em suas entrevistas a sinceridade de quem diz ‘eu não sei tudo’.”

Em seguida, o acadêmico Domício Proença Filho leu as palavras escritas pelo presidente da ABL, Geraldo Holanda Cavalcanti, que não pôde comparecer por problemas de saúde na família.

“A casa está triste, está chocada. João Ubaldo parte de surpresa e o luto que sentimos é nacional”, dizia a carta, em que Cavalcanti descreve João Ubaldo Ribeiro como “um escritor brilhante, romancista marcante da história da ficção contemporânea brasileira” e “cronista frequentado com fidelidade por uma inumerável corte de ávidos leitores”. 

O ator e apresentador Bento Ribeiro contou que o pai deixou inacabado um livro com um apanhado de histórias, ambientadas em bares do Leblon. “Não li nada. Quem lia as obras dele antes de ficarem prontas era a minha mãe. Comigo ele só comentou que estava mudando o narrador para escrever de um jeito mais baiano”, disse. 

O poeta Geraldinho Carneiro lembrou que o escritor gostava de presentear os amigos com objetos e, no dia seguinte, ligava para cobrar se já tinham sido usados. “É um amigo carnavalesco, adorável, de uma generosidade incrível, completamente maluco e capaz de gestos delirantes de afeto”, descreveu. 

O romancista vivia no Rio desde a década de 70. Na madrugada de sexta-feira, João Ubaldo sentiu-se mal. Pediu socorro à mulher, que chamou os paramédicos, que nada puderam fazer. A causa da morte foi embolia pulmonar.

Ao longo da carreira João Ubaldo recebeu láureas com os prêmios Camões – o mais importante para autores da língua portuguesa – e Jabuti. Teve ainda obras adaptadas para a TV e teatro. O último livro publicado foi o infantojuvenil  Dez Bons Conselhos de meu Pai, de 2011.

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