Andrew Kelly/Reuters
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J.K. Rowling pede fim de 'volunturismo' a jovens viajantes

Ela lançou a campanha #AjudandoSemAjudar

Sonia Elks, Reuters

25 de outubro de 2019 | 08h57

Estudantes ocidentais bem-intencionados que são voluntários em orfanatos no exterior estão alimentando o abuso e o tráfico de crianças, disse a autora britânica J.K. Rowling nesta quinta-feira, 24, ao lançar uma campanha contra o chamado “volunturismo”.

Apoiados por doações e ajuda estrangeira, alguns orfanatos constituem um negócio lucrativo. No entanto, pelo menos oito em cada dez crianças em orfanatos possuem um pai vivo, muitas vezes vivendo na pobreza, e muitas crianças são vítimas de tráfico, de acordo com a Lumos, uma instituição de caridade infantil fundada pela criadora do bruxo Harry Potter.

“Alguns orfanatos são montados literalmente para explorar crianças — em outras palavras, as crianças são a isca para doações estrangeiras”, disse Rowling em uma cúpula juvenil do One Young World.

“Muitas vezes, esses jovens (viajantes) vão embora (do orfanato) acreditando que fizeram o bem e ficam horrorizados quando os fatos são apresentados à sua frente e eles percebem que podem ter contribuído para a perpetuação do abuso”, acrescentou.

Pobreza extrema, guerra e desastre forçam as famílias a abandonarem os filhos em orfanatos, diz a Lumos, mas a maioria das crianças pode ser cuidada por suas famílias ou comunidades de origem com apoio suficiente.

Ao lançar a campanha #AjudandoSemAjudar, Rowling foi acompanhada por dois jovens que estavam sob cuidados e pediram que crianças como eles fossem mantidas com suas famílias.

Ruth Wacuka, que cresceu em um orfanato ao lado de um santuário de girafas no Quênia, disse que testemunhou voluntários estrangeiros tratarem seu orfanato como uma atração turística.

“Você pode imaginar quantas pessoas vieram à África para ver as girafas. Então elas iam ao centro das girafas e tiravam fotos das girafas, vinham ao orfanato e tiravam fotos minhas. Nunca devemos deixar as crianças parecerem atrações turísticas”, disse.

Eluxon Tassy, ​​que viveu em um orfanato no Haiti quando criança, disse que via voluntários chegando com uma promessa de segurança e amor, apenas para saírem e nunca mais serem vistos.

A campanha #AjudandoSemAjudar está pedindo que empresas, escolas e universidades interrompam doações para orfanatos e garantam que eles não promovam ou participem de viagens de orfanatos.

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