Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90
Ansa
Ansa

Hitler roubou tumba de Dante, mas italianos tinham trocado ossada de lugar

Parece roteiro de filme, mas tentativa de roubo da ossada de Dante ocorreu em março de 1944, segundo testemunha

Redação, Ansa

04 de julho de 2021 | 16h59

Sob ordens diretas do líder nazista Adolf Hitler, militares da elite da Alemanha roubaram, em 1944, as ossadas do poeta italiano Dante Alighieri, em Ravenna. No entanto, os ossos que seriam levados para um mausoléu desenhado pelo arquiteto do regime, Albert Speer, em Berlim, foram trocados por italianos que descobriram o plano.

A história que parece roteiro de filme realmente aconteceu, segundo revelou uma testemunha do fato, Sergio Roncucci, na última quarta-feira, 30. O idoso de 87 anos é irmão e filho de dois dos protagonistas que substituíram a ossada original e revelou a história em um artigo da 44ª edição da revista Pen Italia.

Graças à espionagem realizada pelos Estados Unidos, mais especificamente pelo Escritório de Serviços Estratégicos (OSS), os membros da Organização para a Resistência Italiana (ORI) foram informados de que havia um plano em ação para roubar a tumba do grande gênio da poesia.

A ORI soube que o coronel da SS, Alexander Langsdorff, era o responsável pela Operação Dante. O militar era um especialista em pré-história, arqueólogo que atuou em expedições no Oriente Médio e que, por seis anos, foi comandado por Heinrich Himmler. Ele ainda trabalhou na Ahnenerbe, um grupo que estudava e fazia buscas sobre relíquias do passado.

Já a organização italiana tinha como um de seus líderes Raimondo Craveri, genro de Benedetto Croce, famoso filósofo, historiador e político italiano.

Ao saber da história, Croce avisou o escritor e poeta Manara Valgimili que, por sua vez, era amigo do monsenhor Giovanni Messini, um sacerdote que era estudioso da vida de Dante em Ravenna.

O padre, com a ajuda dos amigos Bruno Roncucci, Giorgio Roncucci e Antonio Fusconi, que era o responsável por cuidar da lápide, trocaram as ossadas do túmulo entre a noite de 22 e 23 de março de 1944.

Ainda conforme conta Sergio, seus parentes souberam que os alemães descobriram a mudança, mas era tarde demais para tentar buscar os restos mortais certos, já que o regime nazista chegou ao fim pouco mais de um ano depois.

O italiano revelou que Hitler deu ordens semelhantes para roubar outras ossadas de gênios da literatura, como Miguel de Cervantes, William Shakespeare, Liev Tolstói, Jean-Baptiste Poquelin (Molière) e Émile Zola. Porém, ele não sabe dizer se os planos foram realizados ou se houve sucesso em alguma das tentativas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.