Tokyo FM Broadcasting Co. via AP
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Haruki Murakami agora é locutor de rádio e DJ

O escritor japonês disse, no programa de rádio Corridas e Canções, que a música é o que mais influencia a sua obra

EFE

07 Agosto 2018 | 16h51

Tokio - Haruki Murakami disse nesta terça-feira, 7, que a música é o que mais tem influenciado sua obra, e destacou o aspecto “físico” da literatura durante sua estreia como locutor e DJ de um programa de rádio numa emissora japonesa, o Corridas e Canções - dedicado a duas de suas grandes paixões.

“Mais do que aprender técnicas de escrita com base em romances de outros autores, tendo a prestar atenção ao ritmo, à harmonia, à improvisação e esse tipo de coisas”, disse, em resposta à pergunta de um ouvinte sobre as principais influências em seu estilo literário.

Grande fã de música clássica, jazz e rock, Murakami também falou sobre sua paixão em correr maratonas - e destacou o papel que o exercício físico desempenha em sua literatura.

“É difícil escrever romances durantes longos períodos de tempo sem estar basicamente em forma”, disse Murakami. O escritor japonês de 69 anos afirmou que manter suas pernas em forma “ajuda a relaxar a parte superior e a escrever bem”.

Entre as peças musicais de sua coleção pessoal que ele apresentou no programa estão versão de rock músicas de jazz, como Between the Devil and the Deep Blue Sea, de George Harrison, e What a Wonderful World, de Joey Ramone.

Também tocou Sky Pilot, de Eric Burdon and the Animals, e comentou que sentiu “algo especial” quando ouviu essa música no seu lançamento, em plena Guerra do Vietnã.

A ideia do programa surgiu de um "consultório" em que trabalhou por mais de três meses em 2015 e no qual ele respondia dúvidas, inquietações e curiosidades de seus leitores. Isso se transformou no livro Murakami san no tokoro (O Espaço do Sr. Marakami).

Os ouvintes puderam enviar previamente suas perguntas sobre música e outros assuntos ao escritor.

Murakami é um conhecido amante da música e esse amor o levou a trabalhar em uma loja de discos e depois a administrar um clube de jazz. Isso fica explícito em obras como Dance, Dance, Dance e no seu mais recente livro, ainda inédito no Brasil, Matar o Comendador - nele, a ópera Don Giovanni, de Mozart, atua como uma banda de música, sem contar referências aos Beatles.

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