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'Harry Potter 20 anos de Brasil': sucesso também de bilheteria

É interessante rever o filme, com certo distanciamento, sabendo o fenômeno em que o personagem se transformou

Luiz Carlos Merten, O Estadp de S. Paulo

12 de abril de 2020 | 05h00

Pode ser mera coincidência, mas a TV paga tem voltado com frequência, nas últimas semanas, aos filmes de Harry Potter. Poderiam colocar um rótulo – Harry Potter, 20 anos (no Brasil), mas não. Talvez porque, no cinema, a data ainda não é redonda. Harry Potter e a Pedra Filosofal, o primeiro, é de 2001. É interessante rever o filme, com certo distanciamento, sabendo o fenômeno em que o personagem se transformou. Daniel Radcliffe era um menino. Rupert Grint e Emma Watson, que fazem os amigos Rony e Hermione, também eram. E pensar que ela virou uma ardente feminista, lutando por equidade em Hollywood.

Todo mundo sabe que a autora, J.K. Rowling, só vendeu os direitos com a garantia de manter controle artístico sobre os filmes. Os dois primeiros, A Pedra Filosofal e A Câmara Secreta, foram realizados por Chris Columbus. É bom de formatar séries – Esqueceram de Mim, Percy Jackson. Sabe escolher elencos. O ator errado teria acabado com Harry Potter no cinema. O sucesso de bilheteria dos dois filmes foi estrondoso. Os críticos entusiasmaram-se menos. Rowling exigia fidelidade aos livros. Havia muita coisa para colocar, para explicar. Hogwarts, a origem de Harry, de seus poderes, os relacionamentos. As narrativas parecem um tanto devagar. A magia, reduzida. Há controvérsia, claro. Os fãs gostam pelo que os críticos veem como defeitos.

Algo se passou quando o mexicano Alfonso Cuarón realizou Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, em 2004. Cuarón receberia depois dois Oscars de direção – por Gravidade e Roma, em 2014 e 2019. Com ele, o terceiro ano na escola de magia de Hogwarts tomou outro rumo, mais dinâmico. Ele não pôde mudar como gostaria, mas sendo, essencialmente, um homem – um bicho – de cinema, imprimiu à série um novo vigor.

Veio depois Harry Potter e o Cálice de Fogo, de 2005, e o diretor Mike Newell, de Quatro Casamentos e Um Funeral, felizmente alinhou-se mais com Cuarón do que com Columbus. Com Harry Potter e a Ordem da Fênix, de 2007, entrou em cena David Yates, que permaneceu no posto de diretor até o fim. O Enigma do Príncipe, de 2009; As Relíquias da Morte Partes 1 e 2, de 2010 e 2011. Entrevistada por este repórter, Imelda Staunton, atriz de Mike Leigh e Ang Lee – faz Dolores Umbridge –, não deixou por menos. Disse que Yates é gênio. Talvez tenha exagerado, mas, com ele, Harry Potter terminou, no cinema, em alto estilo.

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