Há 98 anos nascia em São Paulo Zélia Gattai

Escritora consolidou uma obra memorialística que lhe rendeu uma cadeira na Academia Brasileira de Letras

O Estado de S. Paulo

02 de julho de 2014 | 11h34

No dia 2 de julho de 1916, na cidade de São Paulo, nascia Zélia Gattai – escritora, militante de esquerda e por muito tempo esposa do escritor Jorge Amado. Zélia se destacou especialmente com sua produção memorialística, a partir da estreia com Anarquistas, Graças a Deus, em 1979, em que conta a história da tentativa de seus antepassados para criar uma comunidade anarquista no Brasil do século 19, também seu maior sucesso de público, que inclusive foi adaptado para a TV.

Zélia conheceu Jorge Amado em 1945, no 1º Congresso dos Escritores, e no ano seguinte, com Amado eleito deputado, se mudaram para o Rio. Em 1948, o Partido Comunista foi declarado ilegal e o casal teve que se exilar na Europa – experiência que renderia outros livros de memória de Zélia, como Jardim de Inverno (1988) e Senhora Dona do Baile (1984). O casamento, naturalmente, também foi tema de memórias, especialmente com os livros A Casa do Rio Vermelho (1999) e Memorial do Amor (2004).

Um dos seus livros mais elogiados foi publicado em 1982, Um Chapéu para Viagem, em que ela aborda a queda da ditadura de Getúlio Vargas e relembra o processo de anistia para os presos políticos. Zélia Gattai também escreveu livros infantis e um romance, Crônica de uma Namorada. Sua obra é publicada pela editora Companhia das Letras.

Em 2001, a escritora foi eleita para a vaga na Academia Brasileira de Letras ocupada anteriormente pelo seu marido, Jorge Amado. 

Zélia Gattai morreu no dia 17 de maio de 2008, aos 91 anos, por complicações pulmonares, renais e arteriais depois de uma cirurgia no intestino. Alguns depoimentos colhidos pelo Estado no dia seguinte ao da sua morte dão uma ideia da relevância da escritora naquele momento:

Luiz Inácio Lula da Silva, então presidente:

“Zélia foi um símbolo da força, da doçura e perseverança da mulher brasileira. Características presentes em toda a sua literatura. Uma companheira de todas as horas para Jorge Amado”

Gilberto Gil, então Ministro da Cultura:

“Foi uma escritora de grande sensibilidade e uma pessoa por quem aprendi a ter todo o apreço pelo seu amor por Jorge Amado e pela Bahia e pelo significado de seu trabalho para a mulher e a literatura brasileira”

Lygia Fagundes Telles, escritora:

“Zélia e o Jorge eram para mim como o mar de Salvador”

Moacyr Scliar, escritor:

“Ela era muito sensível, arguta e fina observadora da realidade. Uma mulher inteligente, corajosa e autêntica”

Luis Fernando Verissimo, escritor:

“É admirável ela ter sido grande companheira do Jorge e ter conseguido manter sua própria identidade como escritora”

Alberto da Costa e Silva, escritor:

“Escrevia muito bem, rigorosa no seu coloquialismo”

Affonso Romano de Sant’anna, escritor:

“A vida com Jorge a fecundou. Os dois eram almas gêmeas”

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