Divulgação
Divulgação

Gutenberg é um farsante em livro de Federico Andahazi

'O Livro dos Prazeres Proibidos' faz analogia à censura hoje praticada na Argentina

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2013 | 02h14

Censura e luta pelo poder são apenas alguns dos fortes ingredientes de O Livro dos Prazeres Proibidos (Bertrand Brasil), novo romance do argentino Federico Andahazi, que se tornou mundialmente conhecido por O Anatomista, lançado em 1996. Agora, ele recua ao final do século 15, quando o inventor da imprensa, o alemão Johannes Gutenberg, é acusado de comercializar livros clandestinos, além de roubar e de praticar bruxaria e satanismo. As denúncias interessam ao promotor do caso, Sigfrido de Maguntia, considerado o maior copista de seu tempo - a Bíblia que os réus copiaram foi originalmente escrita por ele próprio.

A sexualidade sempre foi um elemento decisivo na obra de Andahazi - basta lembrar do erotismo transbordante de O Anatomista (livro que foi um best-seller mundial, traduzido para mais de trinta idiomas e que vai ganhar nova tradução em 2014 pela mesma Bertrand Brasil); ou ainda da trilogia sobre a história sexual dos argentinos, iniciada por Andahazi em 2008 e que deixou seus patrícios boquiabertos por envolver mandatários como Carlos Menem.

Leia Também

Falsa impressão

Em O Livro dos Prazeres Proibidos, o tom erótico vem misturado de mistério ao se concentrar no Mosteiro da Sagrada Canastra, um bordel de luxo no qual as prostitutas vêm sendo mortas com brutalidade por um desconhecido, que ainda arranca meticulosamente suas peles.

Em meio a esse terror que se espalha pela sociedade (o julgamento de Gutenberg acontece na cidade alemã de Mainz, em 1455), Andahazi retrata, assim, um mundo arcaico prestes a avançar na modernidade, fazendo alusões a fatos presentes, como a censura (velada ou direta) que vem acontecendo na Argentina.

Sexo, poder e imprensa são indissociáveis, Andahazi faz acreditar, e o triângulo é capaz ainda de criar falsas imagens, mesmo que a busca da verdade seja aparentemente sua meta principal. Basta acompanhar a maneira ardilosa com que o escritor cruza os caminhos dos misteriosos assassinatos com o julgamento de Gutenberg, cuja fama consolidada de inventor da imprensa - feito divisor de águas na história da humanidade - é arranhada ao se revelar que ele não passava de um falsificador de livros. Ou, como disse o crítico do jornal argentino La Nación, um "vigarista perspicaz".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.