Alex Silva/AE
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'Guerra Justa', um romance de ficção científica de Carlos Orsi

Jornalista e escritor lança livro neste sábado, na Livraria Martins Fontes da Avenida Paulista

Teresa Ribeiro, do estadão.com.br

05 de junho de 2010 | 12h23

SÃO PAULO - Sim, há autores de ficção científica no universo da literatura brasileira. Marginais entre os marginais, eles são resistentes. Carlos Orsi é um deles e lança agora seu primeiro romance Guerra Justa, que sai pela editora Draco. Isso, depois de uma longa estrada, que começou com a venda do primeiro conto para a Editora Record em 1992, seguida da publicação de contos em antologias, fanzines, revistas nacionais e estrangeiras e nos livros Medo, Mistério e Morte (1996) e Tempos de Fúria (2005).

Guerra Justa terá tarde de autógrafos neste sábado, na Livraria Martins Fontes da Avenida Paulista.

 

- Carlos, o que vc acha que o leitor de ficção científica vai curtir mais no livro?

Basicamente, duas coisas: a construção do mundo futuro, com pedaços ainda reconhecíveis do nosso presente, e o debate ético, que tem dilemas de um tipo caro aos clássicos do gênero.

 

Guerra Justa se passa após uma grande tragédia ocorrida na primeira metade do século 21, numa sociedade dominada por uma nova religião que mistura cristianismo, islamismo, judaísmo. O chefe dessa religião, que seria uma espécie de papa, consegue prever o futuro de verdade e avisa aos países onde e quando sofrerão o abalo de um terremoto, de um vulcão etc.

 

"Na verdade, essa capacidade de prever o futuro é uma tecnologia que ele desenvolve e não uma revelação divina", conta Orsi. "Existe um grupo nos bastidores que quer hackear essa tecnologia e esse é o conflito da história", explica. Há uma protagonista, como sugere a capa do livro, a cientista Rafaela. "Mas existem vários outros personagens importantes", alerta Orsi.

 

A ideia do livro surgiu a partir da leitura da obra do filósofo australiano J.L. Mackeie, ligado à Escola de Oxford, "dos filósofos ingleses ofuscados pelos franceses", como diz Orsi, e mais voltado para a lógica e a matemática. Mackeie aborda questões sobre a existência de Deus e diz que se você tem a possibilidade de evitar uma tragédia e não a evita então é cúmplice dela. "Deus poderia evitar todas, então imaginei uma pessoa com essa possibilidade, um cara que poderia fazer muito bem e faz menos do que poderia."

 

Claro que a obra de ficção científica de Orsi tem reflexos de sua carreira como jornalista. É editor de ciência no portal estadão.com.br e também o foi de internacional, daí ter um capítulo no Irã, outro no México, um ou dois na África, outro em Hong Kong e também na Coreia do Norte. Siga o autor em seu blog no portal.

 

Leia um trecho de Guerra Justa

 

"Quando volta a si, cinco segundos mais tarde, Rebeca se vê frente a frente com os olhos do guarda - secos, arregalados. A boca, escancarada. Não há sinal de hálito ou respiração, e a cabeça realiza uma oscilação estranha, mas harmoniosa, matematicamente precisa, à direita, à esquerda, um pouco acima, para frente e para trás.

Com o pescoço quebrado e sem gravidade, apenas pele e cartilagem impedem-na de flutuar para longe do corpo".

 

Guerra Justa - Lançamento na Livraria Martins Fontes. Av. Paulista, 509. (perto do Metrô Brigadeiro). Sábado, 5, das 15h30 às 18h30.

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