Tobias Schwarz/Reuters
Tobias Schwarz/Reuters

Grupo judaico pede a editora que retire livro sobre Anne Frank

Recente lançamento trouxe um ângulo inédito para a célebre história: a traição de um tabelião judeu

Anthony Deutsch, Reuters

02 de fevereiro de 2022 | 18h30

AMSTERDÃ - O principal grupo para as comunidades nacionais judaicas da Europa pediu à editora HarperCollins que retire da sua lista de títulos livro que sugere que um tabelião judeu traiu Anne Frank, dizendo que isso manchou a memória da adolescente e a dignidade dos sobreviventes do Holocausto.

A editora norte-americana lançou a edição em inglês de "Quem traiu Anne Frank?" (The Betrayal of Anne Frank), de Rosemary Sullivan, em 18 de janeiro.

A edição causou repercussão por apontar Arnold van den Bergh como o principal suspeito de expor o esconderijo da família aos nazistas. Pesquisadores independentes posteriormente criticaram as descobertas do livro.

A editora holandesa do livro, Ambo Anthos, suspendeu nesta semana a impressão e pediu desculpas, dizendo ter dúvidas sobre a metodologia por trás das conclusões, de acordo com um e-mail interno visto pela Reuters. 

HarperCollins, uma subsidiária da News Corp, não respondeu a diversos pedidos de comentários. Ambo Anthos não quis comentar.

O Congresso Judaico Europeu, com sede em Bruxelas e que representa 42 comunidades nacionais, pediu à HarperCollins que considere remover o livro e se distanciar de sua "reivindicação potencialmente incendiária... em um momento em que o antissemitismo e a negação e distorção do Holocausto estão em ascensão."

"Em nossa opinião, a publicação... feriu profundamente a memória de Anne Frank, bem como a dignidade dos sobreviventes e vítimas do Holocausto", escreveu em 1º de fevereiro o presidente do congresso, Moshe Kantor, ao presidente-executivo da HarperCollins, Brian Murray, em uma carta vista pela Reuters.

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