Denise Andrade|Estadão
Denise Andrade|Estadão

Grávida do primeiro filho, Mallu Magalhães lança o livro infantil 'Juju Bacana'

Obra traz ilustrações feitas por ela mesma

Eliana Silva de Souza, O Estado de S.Paulo

28 Novembro 2015 | 16h00

Ela é cantora, compositora, instrumentista, gosta de moda, é casada com Marcelo Camelo e está grávida do primeiro filho. Mas não é só isso: Mallu Magalhães acaba de lançar seu primeiro livro infantil, Juju Bacana, que, além de escrever, também fez as ilustrações. Lançado pela Matrix Editora, conta a história de uma menina que quer fazer uma festa muito legal para comemorar o seu aniversário, junto com seus amiguinhos. Em entrevista ao Estado por e-mail, de Portugal, onde está morando, Mallu fala sobre esse novo projeto.

Como surgiu a ideia de escrever um livro para crianças?

A proposta veio por parte da Green (marca de roupas infantis) que, toda coleção, lança um livro junto ao catálogo das roupinhas. Para isso, chamam artistas, ilustradores e escritores pra desenvolver as obras de acordo com a coleção, usando seus temas, estampas e universo como elementos para criação. No meu caso, fiz a história e as ilustrações.

Criar essa história foi a mesma coisa que compor uma música?

Foi bem diferente. Compor uma música é, para mim, um impulso inevitável, é uma necessidade fisiológica muito forte. Já o trabalho de escrever e desenhar é mais calmo e reflexivo, mais de desenvolvimento que de impulso. Gosto muito de estar nessa modalidade intelectual, é muito agradável e, ao mesmo tempo, desafiador.

Desde quando você desenha?

Desenho, como todo mundo, desde criancinha. Sempre gostei e cheguei a fazer um atelier de ilustração infantil em São Paulo com a Maria Eugênia (ilustradora) que foi muito construtivo.

Qual foi sua inspiração para criar a história?

A proposta do projeto era desenvolver algo conforme a coleção. Foi nela que me inspirei. Os temas e as referências giravam todos em torno do conceito de celebração. Me identifiquei muito com esse universo; alegre, florido, festivo. Procurei imaginar uma história que evocasse esses sentimentos e que fizesse algum sentido, tivesse algum enredo, algum desfecho.

Os desenhos foram criados depois ou antes da história?

Depois, embora alguns personagens tenham surgido durante o processo.

É uma história sobre amizade, a importância de se ter amigos. O que os amigos são para você?

Representam muito. Minha ingressão no meio musical e profissional veio na mesma época em que tive alguns problemas na escola onde passei quase oito anos. Perdi muitos amigos e, por minha natural ausência pelas viagens, acabei me distanciando dos que ficaram. Claro que depois aprendi a administrar melhor o tempo, o que me aproximou dos amigos outra vez. Esse choque numa hora tão sensível que é a adolescência me fez aprender muito sobre amizade e descobrir o quão frágil somos sozinhos.

A história tem toque autobiográfico, há algo de você na personagem? Em quem você se inspirou para criar os personagens?

Acho que sim! Os pais da Juju, por exemplo, são iguais aos meus. Com exceção do fato de a mãe cozinhar, o que nunca foi hábito da minha mãe, mas funcionava na história. E me sinto um pouco Juju: adoro celebrações, adoro sentir e dividir alegrias com quem gosto e adoro a magia, a energia, essa onda bonita que criamos em torno de uma celebração.

Você se relaciona bem com crianças?

Sempre adorei crianças. Tinha imenso prazer no trabalho comunitário nos abrigos e creches e até hoje adoro receber crianças em casa. Sinto que elas são fáceis e dóceis, mas, ao mesmo, tão intensas e cheias de personalidade. Acho um máximo.

Pretende escrever mais algum livro para crianças? E músicas infantis, tem vontade de compor?

Cheguei a começar um projeto de um livro autoral incentivada por uma amiga que trabalhava numa editora. Entretanto, precisei do tempo para me dedicar à música, mas o enredo e os rascunhos estão prontos. Sei que a hora dele chegará. Já as músicas infantis nunca me vieram à tona. Talvez venham naturalmente um dia, e eu estarei aberta.

Você é bem versátil, canta, toca, escreve. Tem mais alguma coisa em mente, teatro ou TV?

Acho que minha cara de pau é minha grande arma, meu grande talento. Saio fazendo. O pior que pode acontecer é ficar ruim. Assim vou aprendendo tantos ofícios. A atuação sempre ficou no limite da minha coragem. Acho admirável um grande ator, nunca me atrevi a tentar muito. Mas o tempo é amigo dos corajosos.

 

JUJU BACANA

Autora: Mallu Magalhães

Editora: Matrix (32 págs.)

Preço: R$ 21,90

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