Ivan Alvarado/Reuters
Ivan Alvarado/Reuters

Fundação Neruda pede ajuda para manter casas do poeta no Chile

As casas de Neruda em Santiago, Isla Negra e em Valparaíso, que funcionam como museus, são alguns dos principais pontos turísticos chilenos

Paulina Abramovich, AFP

07 de abril de 2022 | 10h52

A Fundação que administra o legado do poeta chileno e prêmio Nobel de Literatura Pablo Neruda lançou nesta quarta-feira, 6, um pedido de ajuda econômica para manter o funcionamento adequado de suas três casas-museu, afetadas após dois anos de pandemia.

As duas casas na costa central do Chile, no balneário de Isla Negra e no porto de Valparaíso, e outra no centro de Santiago, aos pés do morro San Cristóbal, estão entre as principais atrações turísticas do país, visitadas anualmente por 350 mil pessoas.

Mas a pandemia causou o fechamento das três casas que Pablo Neruda construiu ou restaurou, podendo reabrir - com público limitado e outras restrições sanitárias - apenas em setembro do ano passado. Hoje, recebem apenas 15% dos visitantes de antes.

"Estamos em uma situação muito complexa", disse o presidente da Fundação, Fernando Sáez, em um encontro com jornalistas estrangeiros.

Durante o fechamento das casas, o pessoal teve reduzido à metade o salário e foi possível manter os trabalhos de limpeza e segurança.

Mas hoje as contas não chegam nem para manter o funcionamento normal, nem para acessar um dos projetos mais atraentes da Fundação: abrir um novo espaço dedicado ao poeta com 1.000 m2 de extensão, em frente à La Chascona, a casa em pleno bairro boêmio de Santiago que Neruda adquiriu e nomeou em homenagem à sua terceira esposa, a soprano Matilde Urrutia, à qual ele se referia com este apelido por sua longa cabeleira avermelhada.

"Não quero pensar em que as casas de Neruda fechem", acrescentou Sáez, lamentando a falta de recursos.

Antes da pandemia, apenas para o pagamento dos acessos às três casas, a Fundação recebia até 250 milhões de pesos mensais (cerca de US$ 320 mil) e outros US$ 200 mil em direitos autorais do poeta, ganhador do prêmio Nobel de Literatura em 1971.

Saéz admitiu que bateram sem sucesso às portas do governo anterior do conservador Sebastián Piñera (2018-2022) e de várias empresas para obter financiamento.

As três casas do poeta permanecem tal como Neruda deixou. La Chascona, em Santiago, La Sebastiana, em Valparaíso, e a casa da Isla Negra, na costa central, foram desenhadas e adornadas especialmente por seu proprietário inquieto, que montou em cada uma delas um mundo próprio, carregado de fantasias.

Todas têm o mar como protagonista, com decorações que se assemelham a um barco, e abrigam suas incontáveis, de garrafas e panelas a originais escalda pés e máscaras de proa, acumulados em seus múltiplos viagens por países e continentes.

Neruda morreu em 23 de setembro de 1973, poucos dias após o golpe de Estado que depôs seu grande amigo, o socialista Salvador Allende (1970-1973). As causas de sua morte, atribuídas oficialmente ao agravamento de um câncer, são investigadas pela justiça chilena, após uma denúncia segundo a qual o poeta pode ter sido envenenado.

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