Divulgação
Divulgação

França busca equilíbrio entre diferentes gêneros no Salão do Livro de Paris

Brasil é o País homenageado da edição de 2015; lista foi anunciada nesta terça-feira na capital francesa

Andrei Netto, CORRESPONDENTE - O Estado de S. Paulo

09 Dezembro 2014 | 15h26

PARIS - Nada menos do que 48 autores brasileiros serão apresentados ao público europeu durante o Salão do Livro de Paris de 2015, do qual o Brasil será o convidado de honra. O anúncio dos nomes foi feito nesta terça-feira, 9, na capital francesa. Preterido em Frankfurt, em 2013, Paulo Coelho agora fará parte da comitiva, que pelo Twitter descreveu como "mil vezes melhor" do que a do evento realizado na Alemanha.

A lista foi apresentada na Embaixada do Brasil pelo conselheiro literário do Salão do Livro, Leo Tonus, professor de Literatura Brasileira na Sorbonne. Entre os escolhidos, estão Milton Hatoum, Ana Maria Machado, Paulo Lins, Michel Laub, Fernando Morais, Nélida Piñon, Luiz Ruffato, Edney Silvestre e Fernanda Torres, em uma lista que mescla ficção, não-ficção, ensaio, poesia, teatro, literatura infantil e quadrinhos. "O Brasil tem uma literatura rica, diversificada e logo de muita qualidade. Fazer uma seleção é um exercício sempre muito difícil", afirmou Tonus, revelando alguns dos critérios da escolha: "Além da qualidade das obras, é preciso buscar um equilíbrio entre diferentes gêneros, respeitar a paridade homem-mulher e levar em consideração a representatividade das diferentes culturas e regiões de um país continental que é o Brasil".

Para Vincent Monadé, presidente do Centro Nacional do Livro, a lista simboliza "um panorama completo de uma literatura imensa e rica que é a brasileira", mas que ainda "não é suficientemente traduzida, compartilhada e lida na França". 

Segundo o embaixador do Brasil, José Maurício Bustani, o evento é mais uma oportunidade na tentativa de internacionalizar a literatura brasileira. "Em 35 edições do Salão do Livro de Paris, o Brasil é o único país a ser convidado de honra duas vezes", lembrou, ressaltando o papel de programas de incentivo do Ministério da Cultura e da Câmara Brasileira do Livro para a tradução de autores do País no exterior.

"Daqui a 2020, US$ 35 milhões serão investidos na tradução de novas obras e na reedição de títulos brasileiros no exterior", destacou. A França é o programa que recebeu a maior ajuda à tradução de obras brasileiras no exterior.

Para os autores, o salão, que acontecerá entre 20 e 23 de março, é uma janela para buscar mais visibilidade no exterior, em um mercado europeu no qual as indústrias culturais têm um peso impressionante: € 75 bilhões em receita só na França e € 636 bilhões em toda a Europa, segundo números evocados por Vincent Montagne, presidente do Salão do Livro de Paris. 

Mais conteúdo sobre:
Salão do Livro de Paris Literatura

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.