Walter Craveiro
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Flip 2019: Sidarta Ribeiro demonstra importância dos sonhos para a história da humanidade

Neurocientista comentou seu trabalho mais recente, 'O Oráculo da Noite: A História e a Ciência do Sonho', em que investiga a história dos sonhos com base em dados científicos

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

13 de julho de 2019 | 20h44

PARATY - Convidado para substituir o americano Stuart Firestein, que cancelou de última hora, o neurocientista Sidarta Ribeiro participou pela segunda vez da Festa Literária Internacional de Paraty neste sábado, 13, dessa vez para falar sobre os temas de seu livro mais recente, O Oráculo da Noite: A História e a Ciência do Sonho (Companhia das Letras). No livro, com base em dados históricos, antropológicos e de diversos campos das ciências médicas, o pesquisador investiga a história do sono e dos sonhos, e a relaciona com outras áreas do conhecimento, das teorias da evolução à psicanálise e às artes criativas.

“O livro convida o leitor a reaprender a lembrar o que sonhou”, explicou o professor.

Na opinião dele, os humanos precisam reaver a capacidade primitiva de “prever o futuro” utilizando sonhos. Uma possível teoria da evolução apresentada na palestra diz que a saída dos primeiros homens das cavernas pode ter sido fruto do acúmulo cultural propiciado pela crença de que os mortos estão vivos em outro local – crença derivada de “aparições” de entes queridos em sonhos.

Ao comentar as necessidades de iluminação da humanidade, ele disse: “temos de nos libertar do instinto antigo do ‘farinha é pouca, quero meu pirão primeiro’. Esse é um pensamento paleolítico. Já existe riqueza para todo mundo, estamos a um passo para ficar muito bem – mas a um também para ficar muito mal. Se a gente permitir que os robôs façam os trabalhos das pessoas e elas fiquem sem dinheiro, acabou. A hora que um robô comer o primeiro hambúrguer, é o fim”, disse. “Nós trocamos a sabedoria milenar por outros conhecimentos. Ou integramos, ou… é evidente que esse negócio está dando errado.”

Um dos estudos a que o cientista se propõe é o consumo de substâncias para alteração de estados de consciência. “A integração pode ocorrer bebendo na fonte ou desenvolvendo métodos contemporâneos de consumo.”

Fundador e neurocientista do Instituto do Cérebro, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Ribeiro foi questionado pelo público sobre o impacto do uso contínuo de aparelhos celulares sobre o sono.

“O led azul das telas de computador impede formação de melatonina e o cérebro não fica sabendo que você tem de dormir. Se você vai dormir às 4h da manhã, você vai contra a maré, porque o corpo inteiro quer acordar. Costuma se falar em expropriar terras, mas às vezes expropriamos a nós mesmos nesse sentido”, explicou. Segundo o pesquisador, a privação do sono pode gerar doenças como obesidade, depressão, mal de Alzheimer. “A ciência biomédica já apoia muito o fato de se alimentar e dormir bem e fazer exercícios. É o suficiente para muitos tratamentos. Mas queremos fazer tudo errado e compensar com remédio. O que é bom para quem vende, mas não é bom para as pessoas.”

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