Bryant Park/Editora HarperCollins
Bryant Park/Editora HarperCollins

Flip 2018 anuncia programação

Entre os nomes confirmados para esta edição da Festa Literária Internacional de Paraty estão Colson Whitehead, Alain Mabanckou, Leïla Slimani, Djamila Ribeiro, Selva Almada, Sérgio Sant'Anna e Simon Sebag Montefiore; veja programação completa

Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S. Paulo

05 Junho 2018 | 11h30
Atualizado 06 Junho 2018 | 21h44

Na primeira vez que o americano Colson Whitehead veio ao Brasil, e aquela foi sua primeira viagem internacional, ele era um rapaz de 24 anos, deprimido, sem dinheiro e com um mochilão nas costas. Saiu daqui decidido a se tornar escritor. Agora, prestes a completar 50 anos e depois de lançar seis romances, ele volta ao País como uma das principais atrações da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip 2018), que será realizada de 25 a 29 de julho.

Autor do premiado The Underground Railroad – Os Caminhos Para a Liberdade (HarperCollins Brasil), vencedor do Pulitzer de ficção e do National Book Award e que vai virar série da Amazon com direção de Barry Jenkins (Moonlight), Whitehead vai dividir o palco com Geovani Martins, morador do Morro do Vidigal que acaba de estrear na literatura com O Sol na Cabeça (Companhia das Letras), cujos direitos já foram vendidos para diversos países e para o cinema.

A programação da Flip 2018 (veja abaixo) foi anunciada nesta terça-feira, 5, em São Paulo, pela curadora Josélia Aguiar, com 33 convidados brasileiros e estrangeiros – 17 mulheres e 16 homens. “Será uma Flip muito diferente da do ano passado, que se voltava para o mundo de fora. Agora, ela se volta para dentro. Será mais íntima”, comenta. A escolha de Hilda Hilst como autora homenageada vai ajudar a dar esse tom, acredita.

+++ Hilda Hilst tem sua poesia completa reunida pela primeira vez em um único volume

Temas como amor, sexo, morte, Deus, finitude e transcendência perpassam as mesas. Josélia comenta ainda que os convidados são “autores de muita opinião”, e que assuntos relativos ao Brasil atual certamente aparecerão nos debates – bem como questões que inquietam o mundo. 

Um dos destaques é o encontro entre a brasileira Djamila Ribeiro, pesquisadora de filosofia política, feminista e autora de O Que É o Lugar da Fala (Letramento) e Quem Tem Medo do Feminismo Negro? (Companhia das Letras, no prelo), e a escritora argentina Selva Almada, autora de Garotas Mortas (Todavia). 

A Flip traz este ano, entre os nomes estrangeiros, Leïla Slimani (Marrocos/França), vencedora do Goncourt com Canção de Ninar (Tusquets); André Aciman (Egito/EUA), autor de Me Chame Pelo Seu Nome (Intrínseca), que virou filme recentemente; o historiador Simon Sebag Montefiore, biógrafo de Stalin, dos Romanovs, de Catarina, a Grande (prelo) e de Jerusalém, todos publicados pela Companhia das Letras; e Christopher de Hamel, especialista em manuscritos medievais.

Participam, ainda, Liudmila Petruchévskaia (Rússia), autora de Era Uma Vez Uma Mulher Que Tentou Matar o Bebê da Vizinha (Companhia das Letras), Alain Mabanckou (Congo/França), que escreveu Memórias de Porco-Espinho (Malê), e outros.

A poeta portuguesa Maria Teresa Horta, avessa a avião, participa em vídeo de uma mesa que contará, ainda, com Laura Erber e Júlia de Carvalho Hansen. Na lista de brasileiros estão, também, Sérgio Sant’Anna, Juliano Garcia Pessanha, Eliane Robert Moraes e o trio Eder Chiodetto, Iara Jamra e Zeca Baleiro – eles vão relembrar seus encontros com Hilda. A abertura ficará a cargo da atriz Fernanda Montenegro e de Jocy de Oliveira, pioneira na música de vanguarda.

 

Flip volta para a tenda e ‘casas’ ganham força

A Flip 2018 não será mais feita na Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Remédios, como em 2017, quando precisou economizar na estrutura, ou na Tenda dos Autores, como nos anos anteriores, que já chegou a receber 800 pessoas. Desta vez, será montada, ao lado da igreja, na Praça da Matriz, uma tenda para 500 pessoas – com cerca de 450 ingressos disponíveis para venda entre o final de junho e o começo de julho, em data ainda a ser definida. Na frente dessa tenda haverá uma outra, onde 700 pessoas – e quem mais conseguir um espaço nas laterais – poderão assistir, gratuitamente, às mesas transmitidas por um telão.

Segundo Mauro Munhoz, presidente da Associação Casa Azul, que promove a Flip, este é o tamanho que o evento sempre buscou. E a crise ajudou nisso.

“Nos últimos cinco anos, a Flip vem diminuindo, em valores nominais, quase R$ 1 milhão por ano”, conta. A festa passada foi orçada em R$ 5,8 milhões – R$ 3,7 milhões para a realização do evento em si e o restante para ações educativas e demais despesas. Para esta edição, Munhoz estima valores ainda menores, com diminuição de R$ 500 mil a R$ 1 milhão no orçamento.

Enquanto isso, as ‘casas parceiras’, que pagam um valor à organização para estarem lá, e as ‘casas não oficiais’ reforçam as opções com programação independente e gratuita. Munhoz conta que em 2017 havia 8 casas oficiais. Agora, serão 20, com destaque para o espaço que o Instituto Hilda Hilst vai montar também na Praça da Matriz, para o barco literário da Laranja Original e para as casas do Sesc. Além disso, os institutos de cultura da Europa estarão juntos para debater o Maio de 68. 

A Casa Libre & Nuvem de Livros escolheu como tema de sua programação Leitura, gesto político. Na Casa Paratodos estarão as editoras Nós, Edith, Demônio Negro, Relicário, Dublinense e Buzz. Na Casa do Desejo, Patuá, Reformatório, Confraria do Vento, entre outras.

Confira a programação

Quarta, 25 de julho

20h - Mesa 1 - Sessão de abertura: Hilda, Fernanda e Jocy

Fernanda Montenegro e Jocy de Oliveira

Três artistas geniais da mesma geração celebram a arte mais transgressora: Hilda Hilst, homenageada da Flip 2018, Fernanda Montenegro, uma das maiores atrizes brasileiras, e Jocy de Oliveira, pioneira na música de vanguarda hoje dedicada à ópera multimídia.

Quinta, 26 de julho

10h - Mesa 2 - Performance sonora

Gabriela Greeb e Vasco Pimentel

A voz, a escuta e as divagações literárias e existenciais de Hilda Hilst registradas em fitas magnéticas na década de 1970 são apresentadas pela cineasta Gabriela Greeb e o sound designer português Vasco Pimentel.

12h - Mesa 3 - Barco com asas

Júlia de Carvalho Hansen, Laura Erber e Maria Teresa Horta (em vídeo)

Esse diálogo inusitado reúne, por vídeo, um grande nome da poesia de Portugal do último meio século e, em Paraty, duas poetas brasileiras influenciadas pela lírica portuguesa que têm pontos em comum com Hilda Hilst.

15h30 - Mesa 4 - Encontro com livros notáveis

Christopher de Hamel

A religião, a magia, a luxúria e a leitura na época medieval se apresentam nas páginas do Evangelho de Santo Agostinho, do Livro de Kells e de Carmina Burana, comentadas pelo maior especialista do mundo nesses manuscritos.

17h30 - Mesa 5 - Amada vida

Djamila Ribeiro e Selva Almada

Uma ficcionista argentina que escreveu sobre histórias reais de feminicídio e uma feminista negra à frente de uma coleção de livros conversam sobre como fazer da literatura um modo de resistir à violência.

Da perda

Performance de Bell Puã, slammer pernambucana, a partir de tema de Hilda Hilst.

20h - Mesa 6 - Animal agonizante

Sergio Sant’Anna e Gustavo Pacheco

Um grande mestre da literatura brasileira que abordou o desejo, a solidão e a morte relembra sua trajetória ao lado de um leitor seu e autor estreante elogiado pela crítica portuguesa com histórias de humanos e outros primatas.

Sexta, 27 de julho

10h - Mesa 7 - Poeta na torre de capim

Ligia Fonseca Ferreira e Ricardo Domeneck

A falta de leitores e o silêncio da crítica, como reclamava Hilda Hilst: para esse debate, encontram-se a grande especialista no poeta negro Luiz Gama e um poeta e editor atento a nomes ainda fora do cânone, como Hilda Machado, que morreu inédita em livro.

12h - Mesa 8 - Minha casa

Fabio Pusterla e Igiaba Scego

Fazer literatura tendo uma língua comum – o italiano – e diferentes aportes, fronteiras e paisagens geográficas e literárias: nesse diálogo, reúnem-se o poeta de um país poliglota, que é tradutor do português, e uma romancista filha de imigrantes da Somália, que escreveu sobre Caetano Veloso.

15h30 - Mesa 9 - Memórias de porco-espinho

Alain Mabanckou

O absurdo e o riso, Beckett, culturas africanas, escrita criativa e crítica da razão negra: a trajetória e o pensamento de um poeta e romancista franco-congolês premiado se revelam nessa conversa com dois entrevistadores.

17h30 - Mesa 10 - Interdito

Do desejo | performance do escritor e artista visual paulista Ricardo Domeneck a partir de tema de Hilda Hilst.

André Aciman e Leila Slimani

O exercício da liberdade de escrever e a escolha de temas tabu ou proibidos – a exemplo do homoerotismo, da sexualidade feminina e da religião —são as questões tratadas nesse diálogo entre dois romancistas, um judeu americano de origem egípcia e uma francesa de origem marroquina.

20h | Mesa 11 | A santa e a serpente

Eliane Robert Moraes e Iara Jamra

A obra de Hilda Hilst em poesia e prosa é vista tanto em sua dimensão corpórea quanto mística por uma ensaísta que atua na fronteira entre a literatura e a filosofia, enquanto são feitas leituras por uma atriz que encarnou a sua personagem mais famosa – Lori Lamby.

Sábado, 28 de julho

10h - Mesa 12 - Som e fúria

Jocy de Oliveira e Vasco Pimentel

A escuta e a criação de universos sonoros: para esse diálogo, encontram-se uma das pioneiras da música de vanguarda no país, hoje dedicada à ópera multimídia, e um sound designer português – os dois conhecidos pelo rigor e pelo preciosismo.

12h - Mesa 13 - O poder na alcova

Simon Sebag Montefiore

Historiador britânico best-seller que publicou biografias de Stálin, dos Romanov e, agora, de Catarina, a Grande, conta, nessa conversa com dois entrevistadores, como faz para retratar figuras centrais da política em seus pormenores mais íntimos.

15h30 - Mesa 14 - Obscena, de tão lúcida

Isabela Figueiredo e Juliano Garcia Pessanha

Uma romancista portuguesa nascida em Moçambique que tratou de temas como o racismo e a gordofobia se encontra com um narrador de gênero híbrido e filosófico para discutir a escrita de si, os diários e as memórias, o corpo e o desnudamento.

17h30 - Mesa 15 - Atravessar o sol

Colson Whitehead e Geovani Martins

O americano vencedor do Pulitzer com um romance histórico sobre escravizados que construíram sua rota de fuga se encontra com um estreante que, da favela do Vidigal, inventa com liberdade seu jeito de narrar e usar as palavras.

Cantares do sem nome

Performance do poeta e artista visual maranhense Reuben da Rocha a partir de tema de Hilda Hilst.

20h - Mesa 16 - No pomar do incomum

Liudmila Petruchevskáia

Um dos grandes nomes da literatura russa moderna, comparada a Gogol e Poe por seus contos de horror e fantasia que não dispensam o teor político, relembra sua trajetória proibida por décadas no regime stalinista, hoje aclamada de Moscou a Nova Iorque.

Domingo, 29 de julho

10h - Mesa Zé Kleber - De malassombros

Franklin Carvalho e Thereza Maia 

Um narrador do sertão baiano que abordou a mitologia da morte em seu premiado romance de estreia se encontra com uma folclorista que recolheu histórias orais de Paraty, em um diálogo sobre o território e seus encantados.

12h - Mesa 17 - Sessão de encerramento: O escritor e seus múltiplos

Eder Chiodetto, Iara Jamra e Zeca Baleiro

Uma atriz, um compositor e um fotógrafo que fizeram obras baseadas em Hilda Hilst relembram os encontros com a autora, o processo de criação e as marcas que a experiência deixou em suas trajetórias.

15h30 - Mesa 18 - Livro de Cabeceira

Autores da Flip 2018 leem trechos de seus livros preferidos

 

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