ALEX SILVA/ESTADAO
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Filósofo e tradutor Fausto Castilho é enterrado em SP

Tradutor da principal obra de Heidegger, ‘Ser e Tempo’, o pensador morreu na terça-feira, em Campinas, aos 83 anos

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

04 de fevereiro de 2015 | 18h14

Autor da tradução da monumental obra de Heidegger, Ser e Tempo (Sein und Zeit), o filósofo Fausto Castilho, morto na terça-feira, aos 83 anos, no Centro Médico de Campinas, foi enterrado nesta quarta, 4, no cemitério do Araçá, em São Paulo. Castilho, professor emérito da Unicamp, foi um dos fundadores do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas e era considerado uma autoridade na obra do filósofo alemão Martin Heidegger (1889- 1976), de quem foi aluno.

Sobre a diferença entre ciência e filosofia, aliás, ele costumava recorrer a Heidegger para dizer que a primeira “existe para explicar, enquanto a filosofia, para dificultar”. Embora considerasse Heidegger “o maior filósofo do século 20”, o tradutor da primeira edição bilíngue de Ser e Tempo definiu o alemão como “politicamente tosco” por sua adesão ao nazismo.

Num debate sobre sua tradução, promovido pelo Estado e pela editora da Unicamp há três anos, Castilho revelou que procurou o curso de Heidegger em Freiburg por sugestão de Merleau-Ponty. Ele conheceu a obra do pensador alemão por meio da revista Les Temps Modernes, de Sartre, em 1946. Castilho, aliás, foi o cicerone de Sartre em sua visita ao Brasil em 1960, organizando a recepção ao filósofo francês em Louveira, na fazenda de Ruy Mesquita (1925-2013), que foi diretor do Estado. Na ocasião, Sartre passou pelo menos 20 minutos falando sem parar sobre a obra de Heidegger no contexto do expressionismo alemão.

Castilho, que foi professor de Estética e traduziu livros da área, tinha predileção pelo filósofo e historiador italiano Benedetto Croce (1856-1952), que foi ministro da Educação da Itália nos anos 1920. Castilho ocupou igualmente cargos públicos, tendo assumido a área educacional quando Faria Lima (1909-1969) foi prefeito de São Paulo nos anos 1960.

Quando o filósofo começou a planejar o Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp, encontrou forte oposição por adotar critérios que prevalecem na universidade alemã. Formado na Sorbonne, ele participou da comissão organizadora da Unicamp e deixou traduções valiosas de Croce, Descartes, Espinosa, Habermas, Hegel, Heidegger, Hobbes, Kant e Marx, entre outros grandes pensadores.

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