Sala de Memória Casa do Sol - Acervo do Instituto Hilda Hilst
A escritora Hilda Hilst nos anos 1980 Sala de Memória Casa do Sol - Acervo do Instituto Hilda Hilst

Festa para Hilda Hilst: Mia Couto e Zeca Baleiro falam sobre a escritora em encontro online

De 23 a 27, antes da Flip, o Instituto Hilda Hilst promove um encontro online para celebrar a autora em seus 90 anos

Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S. Paulo

19 de novembro de 2020 | 12h00

Seria um ano de festa para Hilda Hilst (1930-2004). Para celebrar os 90 anos da autora de A Obscena Senhora D., o Instituto Hilda Hilst tinha programado uma vasta programação para 2020, com muita aglomeração. No dia 21 de abril, por exemplo, data do aniversário da escritora, haveria uma grande festa no jardim de sua Casa do Sol para 1.500 pessoas. Visitas de alunos à casa de Hilda estavam agendadas. Haveria exposições. Como tudo em 2020, a programação foi adaptada e, entre os dias 23 e 27, um encontro online encerra o ano – e dá as boas-vindas à Flip. A Curadoria Hilst é um espaço parceiro da festa, que também será online, de 3 a 6 de dezembro.

Leitor de Hilda Hilst, o escritor moçambicano Mia Couto, que já usou muitas frases e poemas da escritora como epígrafes de livros ou capítulos, é o convidado especial e conversa com Daniel Fuentes, presidente do Instituto, sobre Hilda, pandemia e nossos medos hoje no encerramento. Será no dia 27, às 18h, pelo canal Curadoria Hilst no YouTube.

“Quando conheci a sua escrita fui tomado por um sentimento estranho. E pensei: eis alguém que escreve como se rezasse, alguém que tem uma crença total no poder divino da palavra. Alguém que, em nome dessa capacidade de redenção, decide confinar-se num lugar em que a falsa solidão sirva para apurar a verdadeira poesia”, disse Mia Couto ao Estadão.  

Leitor de Mia, Daniel Fuentes comentou: “A grande literatura é cada vez mais fundamental para compreender e reelaborar nossa experiência humana. Mia Couto é, assim como Hilda, um dos mais importantes escritores deste tempo. Fabula nossas ancestralidades, nosso estado atemporal, mítico, realizando também essa busca essencial pelo humano”.

Mia Couto encerra. Zeca Baleiro abre. Na segunda, 23, às 20h30, também ao vivo pelo YouTube, Olga Bilenky recebe o músico e compositor Zeca Baleiro. Na pauta, a poesia de Hilda Hilst, a paixão do músico por sua obra e os bastidores do CD Ode Descontínua e Remota Para Flauta e Oboé, em que musicou 10 de seus poemas.

Os encontros extrapolam o tema da literatura. Na terça, 24, também às 20h30 (os debates, exceto o de Mia Couto, são sempre neste horário), Cláudia Costin, cofundadora do Todos Pela Educação e ex-ministra, fala sobre a importância das artes e da cultura no currículo e ambiente escolar.

Na quarta, 25, três conselheiros do Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas de São Paulo conversam com Daniel Fuentes e Renato Musa sobre o mundo do livro em 2020 e perspectivas para o futuro. São eles: Bernardo Gurbanov, presidente da Associação Nacional de Livrarias; Sophia Castellano, participante de coletivos realizadores de festas literárias em São Paulo e Haroldo Ceravolo, fundador da Alameda Casa Editorial.

Carmen Silva, liderança social do Movimento Sem-Teto do Centro (MSTC), participa de um bate-papo com o jornalista André Arruda sobre as interfaces entre movimentos sociais e a produção cultural independente, na quinta, 26.

Para participar, basta se inscrever no Canal Curadoria Hilst no YouTube.

Essa programação dialoga com o que vem sendo feito pela instituição ao longo desta quarentena e com sua participação na Flip, em 2018, quando Hilda foi a autora homenageada. “Faremos uma espécie de ‘esquenta de luxo’ da programação principal”, comentou Fuentes.

Para ele, Hilda Hilst é uma escritora fundamental. “Uma mulher que foi na vida e na escrita radical, não fez concessões e, exatamente por isso, se permitiu revelar e desconstruir raízes profundas de nosso ser. A sociedade, seja no Brasil, seja no mundo como um todo, vive uma fase de muito medo e profunda transformação. Mais do que nunca é fundamental compreender e questionar os conteúdos mais obscuros de nossa alma, de nossas dúvidas e dores. Hilda mergulhou a fundo em tudo isso, nessa vertigem que nos faz humanos.” 

Há uma segunda parte da programação, com workshop e exibição de peças e filmes, com venda de ingresso pela plataforma Sympla. Na sexta, 27, às 21h, atriz Luciana Veloso, interpreta o solo A Obscena Senhora H - Paixão e Obra de Hilda Hilst, com dramaturgia e encenação de Juarez Guimarães Dias. O ingresso custa R$ 35. O documentário Hilda Hilst Pede Contato, de Gabriela Greeb, pode ser visto no sábado, 28, às 19h, também com ingressos a R$ 35. 

No dia 2, às 19h, será exibido o longa Chorar de Rir (2019) seguido de uma conversa com Toniko Melo sobre o gênero do Melodrama Cômico, também conhecido novela, um dos programas favoritos de Hilda Hilst. O valor é R$ 35.

Outro destaque é o workshop De Amor Para Ser Lido – Hilda Hilst nas Escolas, voltado para educadores e interessados em construir atividades de leitura, artes ou língua portuguesa tendo como ponto de partida a obra de Hilda. Será no dia 5 e o valor do curso é R$ 180.

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Um roteiro de leitura para entrar no universo de Hilda Hilst

Veja seis livros essenciais da escritora Hilda Hilst

Wilson Alves-Bezerra, Especial para O Estado de S. Paulo

21 de julho de 2018 | 06h00

Num livro de 1952 chamado Outras Inquisições, o escritor argentino Jorge Luis Borges dizia sobre Francisco de Quevedo que ele, “como nenhum outro escritor, é menos um homem que uma vasta e complexa literatura”. A brasileira Hilda Hilst é também uma vasta, complexa e obscena literatura. 

É certo que teve bons leitores em vida – como Anatol Rosenfeld, Claudio Willer, Renata Pallottini, Nelly Novaes Coelho e Alcir Pécora, entre outros – que ofereceram a seus textos, tão diversos, leituras potentes; e teve ainda editores cientes de sua importância, como Massao Ohno. 

+++ Homenagem na Flip 2018 intensifica a presença de Hilda Hilst nas livrarias

Mas, após quase 20 anos do primeiro lançamento de suas Obras Completas, ainda é uma autora por ser descoberta. 

Os novos lançamentos e relançamentos, por ocasião da Festa Literária Internacional de Paraty, que começa na quarta-feira, 25, e que presta homenagem à autora, são um convite à sua leitura. 

+++ Flip 2018 anuncia programação, com destaques e novidades para esse ano

Entre suas mais de 40 obras, comento brevemente a seguir seis delas, de diferentes gêneros e décadas, para que cada leitor (re)descubra sua Hilda. Com exceção de O Rato no Muro, no prelo, todas estão disponíveis nas livrarias.

6 livros essenciais de Hilda Hilst

O Rato no Muro (1967)

Em 1966, Hilst muda-se para uma fazenda nas cercanias de Campinas e constrói a Casa do Sol, onde viverá até o fim de seus dias. Dá assim por finalizado seu período em São Paulo, onde estudara Direito e desfrutara da vida urbana e noturna. Isolada no campo, sua escritura ganha corpo: passa a escrever teatro. O Rato no Muro é sua segunda peça, e pode ser entendida como uma fantasia em torno à repressão, encarnada pela personagem da Madre Superiora num convento sombrio, onde nove freiras vivem sob culpa, medo e fome. O convento é cercado por um grande muro, sobre o qual não se deve falar. A obra dialoga com A Casa de Bernarda Alba, de Lorca, e com o teatro psicológico de Nelson Rodrigues – sua ação, no entanto, é muito mais concentrada. Uma peça que parece dever muito ao contexto político no qual foi produzida e que, ao final, lúgubre, mostra o triunfo do totalitarismo. 

Júbilo, Memória e Noviciado da Paixão (1974)

Depois de ter passado a escrever teatro (de 1967 a 1970) e prosa narrativa (Fluxo-Floema, 1970), a poesia de Hilst, segundo Nelly 

Novaes Coelho, ganhou “intensidade”. Há poemas de amor realmente intensos no livro, como os dedicados a José Luis Mora Fuentes, que ganham outra dimensão, com a recente publicação da correspondência entre ambos: “Toma-me. A tua boca de linho sobre a minha boca / Austera. Toma-me AGORA, ANTES / Antes que a carnadura se desfaça em sangue, antes / da morte, amor, da 

minha morte, toma-me”. O livro traz ainda a série Ode Descontínua e Remota para Flauta e Oboé, musicada por Zeca Baleiro em colaboração com a autora, já em seu último ano de vida. Cabe destaque também à seção final do livro, Poemas aos Homens de Nosso Tempo,  com a bela homenagem a Lorca e a outros  personagens insurgentes.

A Obscena Senhora D (1982)

Novela em prosa, radical tanto na forma quanto no conteúdo, e sem paralelos na literatura brasileira. Nela explora-se o que há de fundante na existência humana: a vertigem da morte, do corpo, do sexo e do Absoluto. Não há respiro para o leitor, as cerca de cinquenta páginas que a compõe são uma sucessão de diálogos – sem a intervenção de nenhum narrador – em que uma mulher, Hillé, “a teófaga incestuosa”, e outros personagens, desdobramentos seus, fazem as perguntas mais selvagens: “O que é um homem?”, “de onde vem o Mal, senhor?”, “o que é o corpo?”, “Ai Senhor, tu tens igual a nós o fétido buraco?”. O pungente momento final da narrativa traz o diálogo de Hillé com seu pai agonizante: “A vida toda foi (...) como se eu tocasse sozinho apenas um momento da partitura, mas o concerto todo onde está?”. Hilst lançou mão do fluxo de consciência para transformá-lo em teatro louco, erótico e filosófico. Verdadeiro jato de desamparo.

O Caderno Rosa de Lori Lamby (1990)

Eis a provocação maior de Hilda Hilst à moral de seus leitores: uma obra licenciosa narrada por uma menina de 8 anos, que relata com detalhes suas relações sexuais, em troca de dinheiro, com homens adultos. A naturalidade da narradora Lori Lamby e sua desenvoltura em relação aos prazeres do sexo são desconcertantes. O fato de a protagonista ser filha de um escritor em crise acrescenta outra dimensão à obra: está em jogo a demanda do público leitor e a sobrevivência do escritor. A escritora filia-se com mestria à literatura licenciosa do século 18, a autores como Sade, tirando porém a protagonista do lugar de vítima. No contexto da abertura democrática brasileira, com o fim da censura, quando os corpos eram expostos desbragadamente na mídia e apresentadoras de programas infantis exibiam seu sex-appeal, a crítica de Hilst foi um tiro certeiro. A primeira edição, a cargo de Massao Ohno, era ilustrada por Millôr Fernandes e trazia a foto da autora, aos 6 anos, na contracapa.

Do Desejo (1992)

Em 1992, Hilst colhia os frutos modestos de seu maior êxito popular: havia lançado já seus primeiros livros licenciosos e publicava crônicas no jornal de Campinas. Foi então que a editora Pontes, da própria cidade, lançou Do Desejo, uma coleção de dez poemas eróticos seguida do relançamento de outros seis livros seus lançados desde 1986, cuja temática é também o desejo. Imagens corporais, como as do poema de abertura, dão conta de uma lírica que desiste da cavilação e investe no corpo como via ao Absoluto: “Porque há desejo em mim, é tudo cintilância. / Antes, o cotidiano era um pensar nas alturas / Buscando Aquele Outro decantado / Surdo à minha humana ladradura. / Visgo e suor, pois nunca se faziam. / Hoje, de carne e osso, laborioso, lascivo / Tomas-me o corpo. E que descanso me dás / Depois das lidas. Sonhei penhascos / Quando havia o jardim aqui do lado. / Pensei subidas onde não havia rastros. / Extasiada, fodo contigo / Ao invés de ganir diante do Nada”.

Cascos & Carícias (1998)

Entre os anos de 1992 e 1995 – no conturbado período político entre os governos de Collor, Itamar e FHC – os domingos campineiros agitam-se, nas páginas do Correio Popular: Hilst estreia como cronista. A política é tema frequente. Mas Hilda é inquieta e aborda outros temas, chegando por vezes a rebelar-se e substituir a crônica semanal por um poema seu. Assim, com a plasticidade que permite o gênero, a escritora vai do lirismo à imprecação e chega a sugerir que gostaria de lançar a crônica-envelope: uma forma de preservar o leitor mais sensível do conteúdo de seus “textos sórdidos, coléricos, cínicos, degradantes ou estufados de um humor cruel” (7/11/1993). Noutros textos, Hilst interpela o leitor de modo provocativo e contundente: dirigindo-se à boa família burguesa, não é raro fechar uma crônica desejando bom domingo, boa missa, boa morte. 

Onde ler os livros de Hilda Hilst indicados

TEATRO COMPLETO VOL. 3 – O RATO NO MURO E O AUTO DA BARCA DO CAMIRI

Autora: Hilda Hilst

Editora: L&PM

(No prelo)

DA PROSA

Autora: Hilda Hilst

Editora: Companhia das Letras

(Dois volumes; 888 págs.; R$ 89,90)

DA POESIA

Autora: Hilda Hilst

Editora: Companhia das Letras

(Dois volumes; 616 págs.; R$ 69,90)

132 CRÔNICAS: CASCOS & CARÍCIAS E OUTROS ESCRITOS

Autora: Hilda Hilst 

Editora: Nova Fronteira

(336 págs.; R$ 69,90)

 

WILSON ALVES-BEZERRA É ESCRITOR, TRADUTOR E PROFESSOR DO DEPARTAMENTO DE LETRAS DA UFSCAR

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O sagrado e o profano nos 90 anos de Hilda Hilst

Escritora projetou em sua obra literária o conflito pessoal entre a devoção mística e a força passional

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

21 de abril de 2020 | 15h32

A obra da escritora Hilda Hilst tem recebido nos dois últimos anos, desde que foi homenageada pela Flip, especial atenção de editores e leitores. Hoje faria 90 anos. Sabe-se lá qual seria sua reação se estivesse viva. Indiferença? É possível. Desde que a leitura de Kazantzakis a conduziu para uma vida mais simples, distante dos centro urbanos, em 1964, a reclusão lhe pareceu a escolha mais acertada. Em 1966, já morando na Casa do Sol, que construiu em Campinas e onde viveu até os 73 anos, em 2004, Hilda Hilst passou a ser vista como uma mulher excêntrica, que falava com fantasmas, como a sexagenária Hillé, personagem de seu livro A Obscena Senhora D. (1982), que vive sob o vão de uma escada.

Numa polifonia de vozes fantasmagóricas – a do marido morto, dos vizinhos–, o delírio de Hillé traz para o mundo dos vivos o esposo Ehud, um espírito que tenta barrar o avanço da loucura da mulher, obcecada pela busca do sagrado. Mas, ao lado dessa devoção mística emerge uma força dionisíaca, passional, que marcaria toda a obra de Hilst, dos poemas às peças teatrais, passando por suas crônicas e textos longos. Foi assim desde o primeiro livro de poesia, Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão, lançado em 1974. A escritora, então, já era aclamada no teatro. O Verdugo (1969), peça que ganhou o prêmio Anchieta, desafiou a censura do regime militar ao dar voz a um personagem que questiona a existência de Deus num mundo em que crianças se prostituem para não morrer de fome, tema que ela voltaria a abordar no polêmico O Caderno Rosa de Lori Lamby (1990).

Nesse “caderno” amoral, deliberadamente provocativo, o ressentimento de Hilda por ser uma poeta pouco lida é projetado na figura do pai de Lori Lamby, um escritor sério que não consegue sucesso financeiro. Sem saída, ele se vê obrigado a escrever textos eróticos para sobreviver – curiosamente, o cineasta norte-americano Hal Hartley transferiu para uma freira essas mesmas características, e ela passa a produzir textos pornográficos (no filme Amateur, realizado quatro anos depois, em 1994). Voltando ao livro de Hilst, o fiasco do pai é também o fracasso da filha, como nas tragédias gregas. A garotinha do livro acaba se prostituindo.

O que teria levado Hilda Hilst, depois de três décadas de escrita refinada, autora de uma poesia hermética em busca do numinoso, como Adélia Prado, com quem foi várias vezes comparada, a escrever obscenidades? Chocar burgueses escandalizáveis? Atrair editores despudorados? 

Hilda respondia a essas questões dizendo que até suas obras consideradas obscenas dizem respeito à busca do sagrado, de algo maior que a vida. Essa dimensão metafísica daria, segundo a escritora, um sentido à sua poética: “A minha literatura fala basicamente desse inefável, o tempo todo”. Educada num colégio de freiras, ela teria a curiosidade da tal freira de Hartley que, virgem, busca nas revistas e vídeos pornográficos inspiração para escrever seus livros eróticos?

“Mesmo na pornografia, eu insisto nisso”, dizia a escritora. “Posso blasfemar muito, mas o meu negócio é o sagrado. É Deus mesmo, meu negócio é com Deus”.

Numa tese de Goimar Dantas de Souza, que estuda a linguagem poética de Hilda Hilst e Adélia Prado, o autor analisa como as autoras “empregam a carnavalização do Divino”, enfocando a influência de ritos e da Escrituras Sagradas na literatura de ambas.

Trata-se de uma religiosidade quase bárbara, original, em estado bruto, como a de Pasolini, sem submissão às instituições consagradas. A palavra, em si, é sagrada. Tudo é sagrado: a poesia, o sexo, a filosofia. Kierkegaard é tão importante para ela como Agostinho e os santos místicos. Conclui-se que sua forma de falar de Deus não cabe num manual de boa literatura. Traduzida em vários países, Hilda Hilst é hoje, a exemplo de Clarice Lispector, uma das vozes desafiadoras que podem ecoar, aos ouvidos de alguns, como profanas. Mas loucos e santos têm algo em comum: ambos dizem não à insanidade do mundo.

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