Daniel Teixeira|Estadão
Daniel Teixeira|Estadão

Feira leva 112 editoras independentes para o centro de São Paulo

Miolo(s), organizada pela Biblioteca Mário de Andrade e pela Lote 42, é oportunidade de o público encontrar edições criativas e seus produtores

Guilherme Sobota, O Estado de S.Paulo

06 Novembro 2015 | 03h00

Mais de 100 editoras independentes vão montar um verdadeiro acampamento e expor suas produções recentes na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, amanhã a partir das 10h, na segunda edição da feira Miolo(s), uma parceria da Biblioteca com a editora Lote 42.

A feira pretende reunir e dar a espaço a editoras tão distintas quanto, por exemplo, a Patuá e a Dublinense (mais afeitas a livros ‘comuns’ de literatura) até iniciativas que se debruçam sobre edições experimentais, como os “três Ps do mundo independente”: Pipoca Press, Polvilho Edições e PINGADO-PRÉS.

Um dos organizadores da Miolo(s) é João Varella, sócio da Lote 42, editora independente que tem chamado atenção com suas edições caprichadas e promoções criativas na web. Ele acredita que o mercado independente passa por um momento interessante. “Há uma retomada da cultura do zine, e mais pelo lado do design”, diz – tradicionalmente, o zine é uma publicação com temáticas divergentes das mídias tradicionais e com impressão menos profissional, muitas vezes em máquinas de fotocópias. Atualmente, soluções editoriais criativas se destacam pelos formatos experimentais de seus livros – às vezes, “quase livros” – que têm o capricho no design como atrativo fundamental.

A seleção de 112 editoras que participarão da feira, segundo Varella, é um bom panorama de casas que muitas vezes não se encaixam no padrão comercial de edição. “Existe um movimento que será estudado daqui a 50 anos”, acredita. Por questões logísticas, a maioria das editoras é do Sul e do Sudeste, mas Varella ressalta que a produção em outras regiões também é profusa – semana passada, ele visitou o festival Publique-se, no Recife, e disse ter ficado impressionado com a qualidade e quantidade de bons trabalhos por lá.

Uma das seções da feira destacada pelo organizador é a seção de risografia, uma técnica japonesa de impressão digital que pelo baixo custo e pela versatilidade que oferece tem atraído editores independentes (a tecnologia da máquina não delimita impressões exatas, como uma off set faz, dando a ideia de que cada impressão é única).

A Miolo(s) deste ano homenageia Fabio Zimbres, “uma das poucas unanimidades” no cenário independente. Uma exposição com trabalhos do ilustrador será montada na feira.

Outra novidade desta edição, que dobrou de tamanho em relação ao ano passado, são as oficinas de encadernação e serigrafia (com as inscrições esgotadas) e palestras sobre o mercado, estas a partir das 12h, no auditório da Mário de Andrade.

Nesta semana, seis editoras independentes levaram prêmios da Biblioteca Nacional – a Arte & Letra, de Curitiba, vencedora na categoria projeto gráfico, vai trazer seus trabalhos para a Miolo(s).

A ideia inicial da feira surgiu em 2014 quando São Paulo foi a cidade homenageada na Feira Internacional do Livro de Buenos Aires. Quem organizou a comissão brasileira foi a Biblioteca, e uma das sócias da Lote 42, Cecilia Arbolave, de origem argentina, se aproximou dos produtores da instituição. O clique veio durante o evento portenho, nas semanas seguintes as duas partes sentaram para conversar e em novembro do ano passado o projeto virou realidade, e chega com força à segunda edição. Boa oportunidade para o leitor ter contato direto com os editores de publicações.

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