Ronald Wittek/EFE
Ronald Wittek/EFE

Feira do Livro de Frankfurt começa com mensagem de esperança e de busca por diversidade

Sem o burburinho, mas com a possibilidade de reunir mais profissionais do mercado editorial, a Feira de Frankfurt será realizada até domingo online e em alguns lugares da cidade

Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S. Paulo

13 de outubro de 2020 | 16h25

Em um ano diferente de todos os que já vivemos, a Feira do Livro de Frankfurt começa com uma mensagem de esperança, de liberdade de expressão e de busca por diversidade. A maior feira de livros do mundo, que até pouco tempo ainda planejava uma edição presencial, abriu nesta terça-feira, 13, sua “edição especial”. Com os casos de coronavírus voltando a aumentar na Alemanha e novas medidas restritivas, profissionais do mercado editorial do mundo todo podem participar a partir de suas casas enquanto moradores de Frankfurt terão a oportunidade de assistir a alguns encontros em diferentes locais da cidade.

“Tivemos que ser criativos e inventar tudo”, disse Juergen Boos, presidente da feira, na abertura, realizada no centro de convenções com uma pequena plateia usando máscaras e transmitida online. Mais cedo, na coletiva de imprensa, ele disse que, embora os eventos online não sejam capazes de substituir os encontros cara a cara, e isso é o mais importante da feira, eles atingem mais gente. 

A feira, que recebeu do governo alemão uma ajuda de € 4 milhões para superar os efeitos da pandemia e conseguir promover esta 72.ª edição, segue até domingo, 18, e, mesmo em ano atípico, mantém seus números superlativos: 750 palestrantes, cerca de 4.400 expositores de 103 países, 2.100 eventos e 260 horas de programação. Entre os convidados estão nomes como Margaret Atwood, Bernardine Evaristo, Edward Snowden, Leïla Slimani, Francesca Melandri e Bruno Latour. A programação brasileira, organizada pelo projeto Brazilian Publishers, da Câmara Brasileira do Livro e Apex-Brasil, conta com Cristina Judar, Julie Dorrico, Daniel Munduruku, Eloar Guazzelli e Emilio Fraia, entre outros. Tudo será transmitido pelas plataformas do evento e é preciso estar cadastrado.

Palco político. O escritor israelense David Grossman foi convidado para falar sobre esperança na abertura da feira e gravou, não muito animado, um vídeo em sua casa, em Jerusalém. Ele disse que, desde o coronavírus, gravita entre a angústia e a tristeza, falou sobre a herança do vírus (pobreza, fome, um novo jeito de ver o mundo e nossas relações), sobre nacionalismo, fundamentalismo, racismo, ameaças às democracias e aos direitos civis e sobre resistência. E disse: “Quando há esperança, significa que há um lugar em nossa alma onde ainda somos livres”.

Karin Schmidt-Friderichs, diretora da Associação Alemã de Editores e Livreiros, destacou mais cedo, na coletiva, outros temas que devem despertar o debate, como a liberdade de expressão e a diversidade. “Diversidade quer dizer que todas as vozes são importantes e podem ajudar a sociedade a progredir.”

Nesta quarta, às 5h, quem madrugar pode acompanhar uma discussão sobre como aumentar a diversidade no mercado editorial. Às 10h05, Bernardine Evaristo, autora de Garota, Mulher, Outras, também aborda a questão. 

Tudo o que sabemos sobre:
Feira do livro de Frankfurtliteratura

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.