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Feira do Livro de Frankfurt começa com discursos politizados

Com segurança reforçada, Salman Rushdie disse que sem liberdade de expressão não existem direitos na sociedade

Maria Fernanda Rodrigues - ENVIADA ESPECIAL, O Estado de S. Paulo

13 Outubro 2015 | 17h22

FRANKFURT - Enquanto os últimos ajustes eram feitos nos estandes na noite desta terça-feira, 13, a Feira do Livro de Frankfurt foi oficialmente aberta com uma sucessão de discursos políticos que tinham, como base, a defesa do diálogo como forma de resolver, ou amenizar, questões que preocupam a Europa neste momento - como, no caso da Alemanha, a chegada de seus novos moradores, os refugiados.

A palavra desta feira, presente em todos os discursos e já colocada em destaque na semana passada, é tolerância. Pela manhã, o escritor Salman Rushdie fez uma conferência para a imprensa sobre liberdade de expressão. O convite não foi bem visto pelo Irã, que disse que boicotaria o evento e sugeriu que outros países muçulmanos fizessem o mesmo - a ver nesta quarta-feira, com o início propriamente dito, se ameaça se confirma. "A liberdade de expressão é inegociável", disse Juergen Boos, presidente do feira, sobre esse imbróglio, no início da semana.

Com segurança reforçada, Rushdie disse que sem liberdade de expressão não existem direitos e falou de sua chateação por tratar desta questão: "Nós não deveríamos ter de falar sobre isso no Ocidente. Deveria ser como o ar que respiramos. Me parece que a batalha foi vencida algumas centenas de anos atrás e o fato de estarmos lutando novamente é resultado de um fenômeno recente lamentável". Autor de Versos Satânicos, que lhe rendeu uma sentença de morte, o escritor britânico de origem indiana disse também que sem esta liberdade as outras fracassam.

Rushdie foi citado na abertura deste que é o maior encontro do mercado editorial internacional, mas as falas de Monika Grütters, ministra da Cultura da Alemanha, de Peter Feldmann, prefeito de Frankfurt, de Boos e de Heinrich Riethnüller, presidente da Associação Alemã de Editores e Livreiros, foram mais amplas e discutiram as responsabilidades de editores e escritores neste momento e como a literatura pode contribuir para este processo de receber, bem, os refugiados. 

"A literatura pavimenta o caminho da tolerância e os livros podem ajudar na integração entre os povos", disse Riethmüller. "Provavelmente, apenas a literatura é capaz de mexer nos limites: expandindo o que podemos pensar e imaginar, abrindo mundos para além do horizonte de nossas experiências, ampliando as fronteiras de nossa empatia ao nos ajudar a nos familiarizarmos com o desconhecido e, assim, nos permitindo sentir o que o outro sente", comentou Grütters. A 67.ª Feira do Livro de Frankfurt presta homenagem à Indonésia.

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