Feira de Frankfurt pode ficar sem autor brasileiro

Maior evento do mercado editorial deverá ter só a presença de Paulo Coelho, que se recusou a ir no ano passado

Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo

31 de julho de 2014 | 02h00

PARATY - Depois de ser o país homenageado na Feira do Livro de Frankfurt do ano passado, quando cerca de 70 escritores participaram de eventos na cidade alemã, o Brasil não deverá ter nenhum autor nacional no evento deste ano, que acontece em outubro. Com isso, o mercado editorial corre o risco de não dar continuidade a um trabalho de aproximação, cujo auge aconteceu em 2013.

A informação partiu dos organizadores da Feira de Frankfurt, a maior do setor livreiro do mundo. A expectativa negativa é comprovada pelo espaço reservado pelo País para seu pavilhão em Frankfurt: o Brasil deverá montar um estande de 180 metros quadrados, quando ocupou um de 700 metros quadrados no ano passado (tamanho só reservado para nações homenageadas) e outro de 380 metros quadrados em 2012, época em que os editores preparavam a grande festa do ano seguinte.

A intenção de oferecer a um país a condição de homenageado (nesse ano, a Finlândia é a eleita) é permitir uma maior visibilidade de sua produção local especialmente ao mercado europeu que, muitas vezes, ignora a produção de grandes autores. Em 2013, o governo brasileiro, por meio da Biblioteca Nacional, investiu cerca de R$ 18 milhões no programa, a maior parte destinada à programação cultural, seguida do pavilhão brasileiro.

Paralelamente, foi executado o Programa de Apoio à Tradução e à Publicação de Autores Brasileiros no Exterior, incentivo à publicação de obras nacionais em outros idiomas. Até o final do ano passado, o programa apontava bons resultados, com versões até em catalão.

Países como Turquia e Argentina mantiveram o estímulo nos anos seguintes depois de serem homenageados, promovendo encontros com seus autores em Frankfurt, o que sustentou o programa iniciado. Curiosamente, o único autor nacional por enquanto confirmado na feira alemã é Paulo Coelho, convidado pela organização – no ano passado, irritado com a ausência de alguns nomes que julgava imprescindíveis na lista dos brasileiros, ele se recusou a viajar à Alemanha.

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