Exposição em Londres mostra vida de Virginia Woolf com pinturas e objetos

Mais de 140 elementos relacionados à biografia da escritora britânica estão na mostra até outubro deste ano

Viviana García, EFE

09 de julho de 2014 | 15h30

A vida e o mundo literário de Virginia Woolf são o tema de uma exposição da National Portrait Gallery, de Londres, que mostra desenhos, fotografias e material de arquivo de uma das escritoras mais importantes do século 20.

A exibição, que poderá ser visitada de 10 de julho a 26 de outubro, explora o vínculo da escritora britânica com sua família e amigos, assim como a influência que as ideias políticas de seu tempo tiveram na sua literatura e sua forma de pensar.

Distribuída em quatro salas, a mostra apresenta mais de 140 objetos relacionados com a vida de Woolf (1882-1941), entre eles alguns que fazem referência ao impacto que teve em sua vida a Guerra Civil espanhola e a Segunda Guerra Mundial.

Intitulada Virginia Woolf: Arte, Vida e Visão, a exposição reúne diversas fotos em preto e branco de sua família e personalidades que marcaram sua infância no mundo vitoriano em que ela foi criada, como Charles Darwin e o poeta Alfred Tennyson.

Tampouco faltam cartas e diários pessoais que dão conta de suas experiências familiares durante os verões transcorridos nos condados de Cornualles ou Devon, no sudoeste da Inglaterra. Procedente de uma família intelectual, Virginia Woolf foi educada em casa, como era costume das classes aristocráticas de seu tempo, e se sentiu muito influenciada pelo seu pai, o romancista, historiador e ensaísta Leslie Stephen, do qual também há várias fotografias.

Devido a esse entorno intelectual, Woolf teve acesso desde muito jovem aos escritores da época. Apesar da influência vitoriana, marcada por formas estritas de atuar e pensar, Woolf (cujo sobrenome era Stephen quando solteira) estava determinada para que a mulher ocupasse um lugar na sociedade, como destaca a exposição.

Com sua irmã Vanessa Bell, a escritora organizou reuniões semanais em sua casa no centro de Londres que levaram à criação do chamado Grupo de Bloomsbury, formado por escritores e intelectuais, como o artista Roger Fry e o escritor Lytton Stratchey.

A exibição também destaca o “despertar” político de Virginia Woolf, algo que foi particularmente destacado durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), segundo a comissária da exposição, a historiadora britânica Frances Spalding. Woolf sentia repulsa pelas guerras, como ficou marcado no seu ensaio Three Guineas, no qual ela se pergunta: “O que podemos fazer para impedir a guerra?”.

Ao se referir ao conflito na Espanha, Spalding disse que Woolf se interessou pela rejeição de seu sobrinho, Julian Bell, em relação ao avanço do fascismo nas terras espanholas. Pressionado por sua família, que temia por sua vida, Bell decidiu ir à Espanha, não para lutar como era sua intenção, mas sim para ajudar no serviço de ambulâncias – porém, ele morreu pouco depois de chegar.

“Antes de partir, Virginia teve com ele uma acalorada discussão sobre se ele deveria lutar ou não, pois ela era muito contrária à guerra. Mas Bell pensou que o auge do fascismo era algo perverso, e a maneira de responder a isso seria lutando”, contou Spalding.

Na exposição, também há um desenho de Pablo Picasso, Mulher Chorando, que o pintor criou especialmente para um evento celebrado em Londres no qual a escritora esteve presente. Porém, atrás de sua riqueza literária, se escondia uma escritora “tremendamente vulnerável”, afirmou Spalding, devido aos seus profundos problemas depressivos que a levaram ao suicídio em 1941. “Seu legado literário é imenso, pois muda a forma de se pensar e a forma que se vê o mundo”, disse a comissária.

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