AFP PHOTO / NIKLAS HALLE'N
AFP PHOTO / NIKLAS HALLE'N

Exposição em Londres comemora os 20 anos de Harry Potter

Mostra 'Harry Potter: A History of Magic' tem originais e desenhos de J. K. Rowling, além de objetos relacionados às fontes de inspiração que a escritora usou para fazer a série

Danica Kirk, AP

19 Outubro 2017 | 10h52

LONDRES - Os fãs de Harry Potter têm uma dívida com Alice Newton. Ela tinha 8 anos quando seu pai, um editor da Bloomsbury Publishing, levou para casa um manuscrito para ela ler.

"A excitação nesse livro fez eu me sentir muito bem", ela anotou para o pai. "Eu acho que é provavelmente um dos melhores livros que uma pessoa de 8 ou 9 anos poderia ler."

Inspirada nessa resenha brilhante, a Bloomsbury publicou Harry Potter e a Pedra Filosofal, lançando um marco literário que trouxe mágica para uma geração de crianças.

A nota de Alice é parte de uma exibição na British Library, em Londres: Harry Potter: Uma História da Magia (Harry Potter: A History of Magic). A mostra, que coincide com o aniversário de 20 anos de publicação do primeiro livro de J. K. Rowling, é uma celebração desembaraçada das histórias e de seus antecedentes (veja imagens abaixo).

"Há algumas tradições históricas ricas por trás da mágica nos livros de Harry Potter, das quais J. K. Rowling está ciente", disse Alexander Lock, um dos curadores da exibição, que acrescentou que ficou impressionado com a habilidade da escritora de construir camadas e oferecer profundidade.

A mostra, que abre nesta sexta-feira, 20, inclui rascunhos de Rowling, desenhos que ela fez de personagens e um mapa de Hogwarts, a escola de magia da série.

A exposição também olha para a magia e a natureza da crença, revelando que muitas das coisas que os fãs de Harry Potter pensavam que eram criações são na verdade baseadas em fatos, ou folclore. Isso inclui livros raros e manuscritos de várias partes do mundo, com caldeirões, vassouras, bolas de cristal e manuais de poções que dão uma visão da inspiração de Rowling e de como os livros foram feitos.

"Eu tomei várias liberdades com o folclore", diz Rowling em um vídeo na mostra.

+ TV Estadão: Fãs comemoram 20 anos de Harry Potter

A exposição é dividida em salas baseadas nos temas estudados em Hogwarts, como Poções, Herbologia, Advinhação, Trato das Criaturas Mágicas e Defesa Contra as Artes das Trevas.

Cada seção toca nas lendas e crenças que Rowling colocou nas suas histórias, com objetos históricos ilustrando os ensinamentos por trás da narrativa.

A seção de Poções, por exemplo, mostra um caldeirão da Idade do Bronze/Idade do Ferro, emprestado do British Museum. 

Há também uma discussão sobre alquimia, a antecedente medieval da química, e mostra o Ripley Scroll, um manuscrito de seis metros dos anos 1500 que descreve como fazer uma Pedra Filosofal.

Perto dali, fica a tumba de Nicolas Flamel, um químico de verdade que aparece como personagem no primeiro livro de Rowling.

Uma vitrine de Astronomia mostra um globo celestial feito em 1693 - e uma tecnologia de realidade aumentada provida pelo Google ajuda visitantes a examinar as constelações antigas que deram nomes a personagens centrais de Harry Potter, como Sirius Black e Draco Malfoy.

Sendo hospedada pela Biblioteca Britânica, a exibição tem livros incríveis - sobre quiromancia, leitura de folhas de chá e, claro, bruxos.

Tanya Kirk, outra das curadoras, disse que trabalhar na exposição lhe deu uma nova percepção sobre bruxos.

"Acho que o que aprendi sobre bruxos foi que eles têm uma reputação muito ruim na História, e foi difícil encontrar relatos positivos", ri. "Os livros de Harry Potter fizeram muito para mudar isso."

A exposição fica em Londres de 20 de outubro a 28 de fevereiro de 2018, e já vendeu mais de 30 mil ingressos - a maior quantidade de entradas vendidas antes da abertura de uma exposição na British Library. Depois, ela viaja a Nova York. / Tradução Guilherme Sobota - O Estado de S. Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.