Exposição 'As Aventuras de Alice', em SP, propõe passeio pelo 'País das Maravilhas'; veja vídeo

Mostra em homenagem a Lewis Carroll e Alice fica em cartaz até setembro no Farol Santander

Maria Fernanda Rodrigues - O Estado de S. Paulo

A exposição As Aventuras de Alice, que será aberta no Farol Santander nesta sexta, 24, é mais uma entre as tantas canceladas pela pandemia em 2020. Que ela seja realizada agora é uma feliz coincidência histórica. Há 160 anos, no dia 4 de julho de 1862, Lewis Carroll fez um passeio de barco com a família do amigo Henry Lindell e contou uma história para as crianças. A protagonista se chamava Alice, e Alice Lindell (1852-1934), a quarta filha desse amigo de Carroll, então com 10 anos, pediu que ele colocasse a história no papel. Era dela, para ela. 

A menina ganhou, então, uma edição caseira de Aventuras de Alice no Subterrâneo. Pouco depois, em 1865, foi lançada uma primeira versão em livro. No ano seguinte, outra. O nome não é mais o mesmo, mas, há mais de 150 anos, Alice no País das Maravilhas vem encantando gerações de leitores – de crianças a adultos, de matemáticos a psicanalistas.

A exposição 'As Aventuras de Alice' está em cartaz no Farol Santander, no Centro Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Essa passagem é contada na entrada da exposição, que é informativa, imersiva e para todas as idades, assim que o visitante passa por uma instalação de portas coloridas e pela edição fac-similar do livro original.

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O primeiro andar é, segundo o curador Rodrigo Gontijo, um ambiente mais informativo: “A superfície da mostra”, como ele coloca. As informações introdutórias estão numa sequência de grandes cartas de baralho, mesclando textos e fotos. Aprendemos sobre Carroll, Alice e a obra. A Alice real, inclusive, aparece em um vídeo gravado quando ela tinha 80 anos.

Rodrigo Gontijo, curador da exposição 'As Aventuras de Alice', chegou ao livro pelos filmes que ele inspirou Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Ainda nessa seção chamada Biblioteca, encontramos uma estante dedicada a brasileiros que traduziram ou adaptaram a história, ou se inspiraram nela. Há a tradução de Monteiro Lobato, a primeira lançada aqui, e livros dele em que a menina aparece. E também uma versão em cordel, de João Gomes de Sá. Ao lado, há várias edições de Alice no País das Maravilhas abertas no início do mesmo capítulo, o 4, para que o leitor conheça diferentes traduções.

Do outro lado, há a reprodução das ilustrações originais, de John Tenniel, e explicações sobre os personagens – por que o Gato de Cheshire sorri, por que o Coelho está sempre atrasado, por que o chapeleiro é chamado de maluco, etc.

TMini-Alice na sala Gabinete de Curiosidades, com objetos de Adriana Peliano Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Entrando num segundo ambiente, o Gabinete das Curiosidades, somos levados à Inglaterra vitoriana. A coleção-instalação da artista Adriana Peliano, presidente da Sociedade Lewis Carroll do Brasil, com toda a sua memorabilia acerca do universo de Alice, e o quadro da americana Maggie Taylor, em que recria fotos de época introduzindo elementos da história, estão em destaque ali.

Últimos ajustes na exposição sobre Alice, no Santander Cultural Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Neste andar, o visitante conhece ainda livros giratórios e também um taumatrópio, um dos mais antigos e populares objetos de animação, criado em 1824, por meio do qual é possível ver desenhos em movimento. Cartazes antigos e uma sala em que é projetada uma primeira adaptação, de 1903, encerram a primeira parte da visita.

Viagem ao mundo dos sonhos

Seguindo as pegadas do Coelho pela escadaria do Farol Santander, caímos na Toca do Coelho – a entrada do segundo andar da exposição. O visitante é convidado a se sentar e fazer uma “viagem estereoscópica (3D)” pela queda de Alice na toca – a cena, retirada de 21 filmes, é projetada ali. É o início de um mergulho sensorial na obra que por si só já é um mergulho no inconsciente.

Por falar em leitura psicanalítica do clássico de Carroll, Christian Dunker é uma das pessoas que gravaram depoimentos para a mostra, exibidos em vídeo, na seção O Conselho da Lagarta. Há também falas de, entre outros, Adriana Peliano, Antonio Peticov, presente também por meio de suas telas, e Ozi, que grafitou uma parede.

O artista Ozi ganhou uma parede da exposição para pintar sua versão de Alice; parede está na seção Um Chá Maluco, que conta com uma instalação de cadeiras Foto: Tiago Queiroz/Estadão

A exposição segue na sala Um Chá Maluco, com uma instalação de 20 televisores exibindo desenho animado e outra com cadeiras empilhadas. Dali, o visitante chega à área dedicada à Rainha de Copas – um videomapping com cenas de 13 diferentes filmes. A última sala presta uma homenagem a outro livro – Alice Através do Espelho e o Que Ela Encontrou Lá, que, em 2022, completa 150 anos. Ao som de I Am the Walrus, dos Beatles, e um vídeo tipográfico que projeta palavras e frases nos espelhos que forram a sala, o visitante começa a deixar o mundo onírico de Alice e voltar à realidade.

Do Farol Santander à Inglaterra de Alice: Miniaturas remetem à era vitoriana Foto: Maria Fernanda Rodrigues/Estadão

“Alice representa esse devir criança, o devir da imaginação e daquela pessoa que se fascina pelas coisas. Alice é essa criança que se encanta pelo mundo das maravilhas e o desafia. Ela traz esse novo olhar sobre como encarar e recriar o mundo”, diz o curador, que é pesquisador de cinema e se encantou por Alice nas telas.

As Aventuras de Alice

Farol Santander

Rua João Brícola, 24. 

Tel. (11) 3553-5627. 3ª a dom., 

9h às 20h. R$ 30.

Até 25/9

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Exposição 'As Aventuras de Alice', em SP, propõe passeio pelo 'País das Maravilhas'; veja vídeo

Mostra em homenagem a Lewis Carroll e Alice fica em cartaz até setembro no Farol Santander

Maria Fernanda Rodrigues - O Estado de S. Paulo

A exposição As Aventuras de Alice, que será aberta no Farol Santander nesta sexta, 24, é mais uma entre as tantas canceladas pela pandemia em 2020. Que ela seja realizada agora é uma feliz coincidência histórica. Há 160 anos, no dia 4 de julho de 1862, Lewis Carroll fez um passeio de barco com a família do amigo Henry Lindell e contou uma história para as crianças. A protagonista se chamava Alice, e Alice Lindell (1852-1934), a quarta filha desse amigo de Carroll, então com 10 anos, pediu que ele colocasse a história no papel. Era dela, para ela. 

A menina ganhou, então, uma edição caseira de Aventuras de Alice no Subterrâneo. Pouco depois, em 1865, foi lançada uma primeira versão em livro. No ano seguinte, outra. O nome não é mais o mesmo, mas, há mais de 150 anos, Alice no País das Maravilhas vem encantando gerações de leitores – de crianças a adultos, de matemáticos a psicanalistas.

A exposição 'As Aventuras de Alice' está em cartaz no Farol Santander, no Centro Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Essa passagem é contada na entrada da exposição, que é informativa, imersiva e para todas as idades, assim que o visitante passa por uma instalação de portas coloridas e pela edição fac-similar do livro original.

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O primeiro andar é, segundo o curador Rodrigo Gontijo, um ambiente mais informativo: “A superfície da mostra”, como ele coloca. As informações introdutórias estão numa sequência de grandes cartas de baralho, mesclando textos e fotos. Aprendemos sobre Carroll, Alice e a obra. A Alice real, inclusive, aparece em um vídeo gravado quando ela tinha 80 anos.

Rodrigo Gontijo, curador da exposição 'As Aventuras de Alice', chegou ao livro pelos filmes que ele inspirou Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Ainda nessa seção chamada Biblioteca, encontramos uma estante dedicada a brasileiros que traduziram ou adaptaram a história, ou se inspiraram nela. Há a tradução de Monteiro Lobato, a primeira lançada aqui, e livros dele em que a menina aparece. E também uma versão em cordel, de João Gomes de Sá. Ao lado, há várias edições de Alice no País das Maravilhas abertas no início do mesmo capítulo, o 4, para que o leitor conheça diferentes traduções.

Do outro lado, há a reprodução das ilustrações originais, de John Tenniel, e explicações sobre os personagens – por que o Gato de Cheshire sorri, por que o Coelho está sempre atrasado, por que o chapeleiro é chamado de maluco, etc.

TMini-Alice na sala Gabinete de Curiosidades, com objetos de Adriana Peliano Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Entrando num segundo ambiente, o Gabinete das Curiosidades, somos levados à Inglaterra vitoriana. A coleção-instalação da artista Adriana Peliano, presidente da Sociedade Lewis Carroll do Brasil, com toda a sua memorabilia acerca do universo de Alice, e o quadro da americana Maggie Taylor, em que recria fotos de época introduzindo elementos da história, estão em destaque ali.

Últimos ajustes na exposição sobre Alice, no Santander Cultural Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Neste andar, o visitante conhece ainda livros giratórios e também um taumatrópio, um dos mais antigos e populares objetos de animação, criado em 1824, por meio do qual é possível ver desenhos em movimento. Cartazes antigos e uma sala em que é projetada uma primeira adaptação, de 1903, encerram a primeira parte da visita.

Viagem ao mundo dos sonhos

Seguindo as pegadas do Coelho pela escadaria do Farol Santander, caímos na Toca do Coelho – a entrada do segundo andar da exposição. O visitante é convidado a se sentar e fazer uma “viagem estereoscópica (3D)” pela queda de Alice na toca – a cena, retirada de 21 filmes, é projetada ali. É o início de um mergulho sensorial na obra que por si só já é um mergulho no inconsciente.

Por falar em leitura psicanalítica do clássico de Carroll, Christian Dunker é uma das pessoas que gravaram depoimentos para a mostra, exibidos em vídeo, na seção O Conselho da Lagarta. Há também falas de, entre outros, Adriana Peliano, Antonio Peticov, presente também por meio de suas telas, e Ozi, que grafitou uma parede.

O artista Ozi ganhou uma parede da exposição para pintar sua versão de Alice; parede está na seção Um Chá Maluco, que conta com uma instalação de cadeiras Foto: Tiago Queiroz/Estadão

A exposição segue na sala Um Chá Maluco, com uma instalação de 20 televisores exibindo desenho animado e outra com cadeiras empilhadas. Dali, o visitante chega à área dedicada à Rainha de Copas – um videomapping com cenas de 13 diferentes filmes. A última sala presta uma homenagem a outro livro – Alice Através do Espelho e o Que Ela Encontrou Lá, que, em 2022, completa 150 anos. Ao som de I Am the Walrus, dos Beatles, e um vídeo tipográfico que projeta palavras e frases nos espelhos que forram a sala, o visitante começa a deixar o mundo onírico de Alice e voltar à realidade.

Do Farol Santander à Inglaterra de Alice: Miniaturas remetem à era vitoriana Foto: Maria Fernanda Rodrigues/Estadão

“Alice representa esse devir criança, o devir da imaginação e daquela pessoa que se fascina pelas coisas. Alice é essa criança que se encanta pelo mundo das maravilhas e o desafia. Ela traz esse novo olhar sobre como encarar e recriar o mundo”, diz o curador, que é pesquisador de cinema e se encantou por Alice nas telas.

As Aventuras de Alice

Farol Santander

Rua João Brícola, 24. 

Tel. (11) 3553-5627. 3ª a dom., 

9h às 20h. R$ 30.

Até 25/9

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