Kevin Dietsch/AFP
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EUA se rendem à poeta Amanda Gorman após recital na posse de Biden

Poeta mais jovem a recitar seus versos na posse de um presidente, ela entrou para a lista de mais vendidos antes mesmo de publicar sua obra 'The Hill We Climb'

Redação, AFP

22 de janeiro de 2021 | 17h17

Recordes de pré-venda, prêmios e elogios: os Estados Unidos se renderam à jovem poeta negra Amanda Gorman desde sua comovente participação na cerimônia de posse do presidente americano, Joe Biden.



Três de suas obras - uma coleção de poemas, um livro para crianças e uma edição especial dos versos recitados para o 46º presidente dos Estados Unidos - lideravam nesta sexta-feira, 22, as vendas de livros na Amazon.

O que é mais surpreendente é nenhum deles ainda foi publicado e os ansiosos novos fãs de Gorman terão que esperar até abril, ou inclusive a setembro no caso de Change Sings: A Children's Anthem, versos ilustrados para os mais jovens.

Mas isto não os dissuadiu de recorrerem em massa para pré-encomendar os livros, a ponto de colocar a nova artista e ativista à frente de Barack Obama, cujo livro de memórias, Uma Terra Prometida, está no quinto lugar na lista dos mais vendidos.

O ex-presidente ficou impressionado com Gorman que, com apenas 22 anos, recitou na quarta-feira com graça e uma confiança assombrosa um poema de sua autoria: The Hill We Climb (A colina que subimos).

Ela "ofereceu um poema que foi para além do momento. Jovens como ela são a prova de que 'sempre há luz, se formos suficientemente corajosos para vê-la; se formos suficientemente corajosos para sê-lo'", tuitou Obama, pegando carona em um par de versos que a jovem recitou na cerimônia.

A estrela de televisão Oprah Winfrey, a ex-candidata presidencial democrata Hillary Clinton e inclusive a ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, a paquistanesa Malala, também elogiaram seu trabalho.

Em um dia, ela ganhou dois milhões de seguidores no Instagram e mais de um milhão no Twitter e seus versos já foram inclusive musicados pelo americano Rostam Batmanglij.

Originária de Los Angeles, criada pela mãe solteira, ela sofreu de gagueira quando era criança, assim como aconteceu com Biden, o que a animou a se dedicar à escrita.

Menina prodígio, ganhou seu primeiro prêmio de poesia aos 16 anos e foi agraciada como a "melhor poeta jovem" do país três anos depois, enquanto estudava sociologia na prestigiosa Universidade de Harvard.

Antes dela, outros cinco poetas, entre eles Robert Frost e Maya Angelou, foram convidados à cerimônia de posse dos presidentes dos Estados Unidos, mas nenhum deles era tão jovem.

Seu nome foi sugerido aos organizadores da cerimônia por Jill Biden, a primeira-dama, que tinha assistido a uma de suas leituras.

Em dezembro, então, pediram-lhe que escrevesse uma ode à "América unida", uma mensagem que o presidente democrata está empenhado em transmitir.

Ela havia escrito apenas metade do texto quando apoiadores de Donald Trump invadiram o Capitólio em 6 de janeiro.

Horrorizada, escreveu de uma vez o final do poema que, sem negar os males do país, defende a unidade para avançar. "Não somos uma nação partida, só uma nação inacabada". 

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