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Robyn Van Swank/HBO
Robyn Van Swank/HBO

Série 'Eu Terei Sumido na Escuridão' aborda caso real do Golden State Killer

Produção documental da HBO, dirigida por Liz Garbus, se baseia no livro de Michelle McNamara que mostra escritora decidida a encontrar um assassino

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

28 de junho de 2020 | 05h00
Atualizado 01 de julho de 2020 | 10h05

Em 2016, o mundo do entretenimento nos Estados Unidos se chocou com a notícia da morte prematura da escritora Michelle McNamara, autora do blog True Crime Diary (sobre suas investigações dedicadas a crimes violentos não resolvidos pela polícia) e mulher do adorado comediante Patton Oswalt. Ela tinha apenas 46 anos quando sofreu uma overdose acidental de medicamentos – não antes de deixar praticamente pronto o livro Eu Terei Sumido na Escuridão, publicado no Brasil pela Vestígio Editora, e que agora é uma série documental da HBO, dirigida pela indicada ao Oscar Liz Garbus, mais recentemente por What Happened, Miss Simone? (2015). O primeiro dos seis episódios estreia neste domingo, 28, às 23h, na TV e no streaming HBO Go.

Lançado depois da morte da autora, o livro se tornou best-seller do New York Times, vendeu 150 mil cópias e mostrou ao mundo pela primeira vez de maneira consolidada a obsessão de McNamara pelo caso do “Golden State Killer” – um misterioso abusador sexual e assassino que cometeu mais de 50 crimes na Califórnia desde os anos 1970. O Times descreve o livro como “uma narrativa arrepiante e vívida dos crimes de um serial killer e um relato revelador da obsessão de McNamara pelo caso e do impacto psicológico que ele causou nela”.

A investigação da escritora, que colaborou com a polícia fornecendo informações e compartilhando descobertas, como demonstrada na série, ajudou na tardia captura do assassino, finalmente preso, aos 78 anos, em 2018. A produção da HBO também procurou dar a voz principal do documentário às vítimas e aos sobreviventes dos crimes, para evitar o sensacionalismo.

“Qualquer história pode ser escandalosa se for reduzida aos seus elementos mais sensacionalistas”, explica a diretora Liz Garbus, em entrevista coletiva realizada via videoconferência. “Michelle se aproximou do caso com uma sensibilidade tão grande e buscamos trazer isso à série também. Nunca dar a entender que esse assassino fosse um anti-herói, por exemplo.”

Para Oswalt – produtor executivo da série, um facilitador no caminho da diretora aos documentos compilados por McNamara – o sentimento de ver o assassino preso, depois de tantos anos, foi no início agridoce. Sua mulher não estava ali, embora ela mesma tivesse previsto a prisão no livro. Mas o pensamento dele chegou às vítimas.

“Há muitas coisas sem resposta no mundo, e isso atrai pessoas para esse tipo de produção”, diz ele. “Quando há uma união contra a injustiça, ocorre algo muito forte contra a escuridão, a decadência e o desespero. Espero que a audiência conheça e tenha acesso à história das vítimas, essa é uma discussão muito importante.”

Sobre a dolorida perda da esposa, Oswalt comenta: “A produção do livro agravou problemas que estavam lá, mas não procuro pensar nesses termos”. O documentário detalha como a autora mantinha um escritório separado na casa e passava noites e noites buscando informações, pistas e conexões sobre o assassino, processo que culminou em artigos para a Los Angeles Magazine em 2013 e 2014. Esse foi o início da nova onda de interesse público pelo caso, e também a reabertura da investigação oficial que prendeu o indivíduo.

Na sua primeira incursão no gênero do “true crime” (que rendeu o fenômeno A Máfia dos Tigres para a Netflix), Liz Garbus compreende que a série chega em um tempo de ativa discussão em Hollywood sobre como forças policiais são retratadas nas produções.

“Sempre fui interessada pelo tema da desigualdade, e tenho participado dos protestos em Nova York. No caso da jurisdição que investigava esse crime, apenas 4% das ocorrências deles diziam respeito a crimes violentos. A maior parte eram questões de saúde mental, vícios, temas relacionados à pobreza, e esse é o centro da reforma policial que está sendo discutida neste momento. Um caso como esse da série é tão raro que quase não aborda sobre o dia a dia da polícia neste país.”

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