Allen Ginsberg
Allen Ginsberg

Estados Unidos lembram Jack Kerouac no 50º aniversário da sua morte

Escritor e poeta foi um dos pioneiros da geração beat

Redação, EFE

21 de outubro de 2019 | 15h13

WASHINGTON – Cinquenta anos após sua morte, os Estados Unidos relembram o escritor e poeta Jean-Louis (Jack) Kerouac, que, junto com os escritores William Burroughs e Allen Ginsberg, foi o pioneiro da geração beat, que deu lugar ao movimento hippie.

Kerouac morreu em 21 de outubro de 1969 aos 47 anos de idade, na Flórida, em consequência de uma hemorragia interna causada por cirrose, doença que o afligiu por causa do seu prolongado alcoolismo. Face aos danos causados ao fígado devido ao consumo descontrolado de álcool que impediam a coagulação do sangue, os médicos que o operaram não conseguiram salvá-lo.

Três dias depois seu corpo estava na Casa Funerária de Archambault, pequena cidade de Massachusetts onde o escritor nasceu em 12 de março de 1922, de uma família francófona canadense humilde. Ele foi enterrado no cemitério Edson Lowell.

Durante seu funeral o escritor Allen Ginsberg, outro fundador da geração beat e da contracultura americana que surgiu após a Segunda Guerra Mundial, leu alguns poemas que Kerouac incluiu na coleção Mexico City Blues, publicada em 1959 e inspirada no ritmo de jazz.

“Isto é exatamente o que ele desejava. Ouçam”, disse Ginsberg antes de ler os poemas. Ginsberg morreu em 1997 aos 70 anos em consequência de um câncer de fígado.

A mesma funerária que recebeu o corpo de Kerouac em 1969, organizou, na segunda-feira, dia 21,  uma exposição especial do escritor.

A obra mais influente de Kerouac foi On The Road (Pé na Estrada) em que ele narra suas experiências em uma série de viagens que fez entre 1947 e 1950 pelos Estados Unidos com seu amigo e escritor Neal Cassady.

O livro, o segundo romance de Kerouac e que muitos consideram a “bíblia” da geração beat, tem por protagonistas os principais autores do movimento: William Burroughs, Allen Ginsberg e Neal Cassady, além do próprio Kerouac, que atua como narrador.

Em uma entrevista publicada pela The Paris Review um ano antes da sua morte, Kerouac admitiu que a inspiração para o estilo espontâneo de Pé Na Estrada foi acidental, fruto da correspondência que mantinha com Neal Cassady.

Depois de publicar seu primeiro romance The Town and the City (1950), que teve pouco sucesso, Kerouac teve dificuldades para dar forma ao conteúdo dos seus cadernos repletos de anotações feitas duras suas viagens pela estrada iniciadas em 1947.

“A ideia do estilo espontâneo de On the Road surgiu-me ao ver como Neal Cassady me escrevia cartas tão bem, todas na primeira pessoa, sem pé nem cabeça, com nomes reais e, no entanto, continuavam sendo cartas”, disse ele.

“Também me lembrei da advertência de Goethe, ou seja, da profecia de Goethe de que o futuro da literatura ocidental seria de caráter confessional; Dostoievski também fez a mesma profecia”, acrescentou.

Kerouac qualificou as cartas de Cassady, a principal contendo 40.000 palavras, “um romance curto”, como “o melhor escrito que jamais havia visto, melhor do que ninguém nos Estados Unidos ou pelo menos o suficiente para Melville, Twain, Dreiser, Wolfe, seja quem for,  “se revirarem no seu túmulo”.

Essa carta fundamental de Cassady tem sua própria história. Kerouac contou que a emprestou a Ginsberg para que ele a lesse. E o poeta maldito da geração beat a emprestou “a um sujeito chamado Gerd Stern que vivia em uma casa flutuante em Sausalito, Califórnia, que havia perdido a carta".

Na realidade, Ginsberg enviou a carta para a Editora Golden Goose Press, onde foi esquecida até ser descoberta e levada a leilão em 2017 depois de um acordo entre os herdeiros de Kerouac e Cassady.

Aos 50 anos da sua morte, as palavras pronunciadas em seu funeral pelo sacerdote Morissette, da Igreja St. Jean Baptiste, de Lowell, ressoam com força: “Jack Kerouac personificou a busca do homem pela liberdade”.

“Ele sempre se recusou a ser aprisionado pela mesquinhez do mundo. Tinha o que Allan Ginsberg chamou de “primorosa honestidade”, a intrepidez e expressar e viver as suas ideias. E agora, está de novo na estrada, seguindo adiante”, acrescentou o sacerdote. / Tradução de Terezinha Martino.

Tudo o que sabemos sobre:
Jack Kerouacliteratura

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.