Reuters/Anders Wiklund/TT News Agency
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Esposa de pivô de escândalo sexual na Academia Sueca deixa instituição

Recaíam sobre Katarina Frostenson suspeitas de que ela tivesse vazado o resultado de prêmios Nobel de Literatura para o marido, Jean-Claude Arnault, condenado a dois anos de prisão

EFE, EFE

18 Janeiro 2019 | 11h49

COPENHAGUE — A poeta Katarina Frostenson, esposa do causador do escândalo sexual e de vazamentos que geraram a pior crise da história da Academia Sueca, responsável pela entrega do Prêmio Nobel de Literatura, formalizou nesta sexta-feira, 18, sua saída da instituição.

As partes chegaram a um acordo para que Katarina deixe de forma voluntária a cadeira 18, que ocupava desde 1992, e decidiram não levar aos tribunais a disputa que travam há meses sobre se ela violou a confidencialidade do cargo ao supostamente revelar em várias ocasiões o nome do vencedor do Nobel antes da decisão.

Katarina, de 65 anos, receberá um subsídio mensal de 12.875 coroas suecas (R$ 5.370) e uma ajuda não especificada para manter o apartamento alugado em que vive, propriedade da Academia.

"A Academia Sueca partiu com este acordo da condição fundamental que Katarina Frostenson trabalhou por 25 anos para a instituição e contribuiu com valiosas iniciativas. Por isso, ela deve ter garantida uma razoável retribuição similar a uma pensão", diz um comunicado.

Após Katarina rejeitar no ano passado a renúncia voluntária, a Academia lançou em dezembro o relatório de uma firma de advogados que concluía que a exclusão estava justificada por ela ter violado os estatutos ao vazar para seu marido, o artista francês Jean-Claude Arnault, os ganhadores do Nobel e diversas nomeações.

A poetisa negou então as conclusões, mas se mostrou disposta a chegar a um acordo em troca de uma compensação pelo bem da Academia.

Com sua saída, já são seis os acadêmicos que deixaram a instituição desde abril, enquanto outros dois retornaram às atividades e quatro membros novos foram admitidos, por isso agora 15 das 18 cadeiras estão ocupadas.

Resta a ser resolvida a situação da ex-secretária Sara Danius, que ainda não esclareceu se retorna à Academia.

A origem do caso são as denúncias de abuso sexual feitas em novembro de 2017 no Dagens Nyheter, o principal jornal sueco, por 18 mulheres contra uma "personalidade cultural" muito próxima à Academia, depois identificada como Jean-Claude Arnault.

A instituição cortou as relações com o artista e encomendou uma auditoria, que concluiu que houve vazamento de informação e que o apoio econômico recebido da Academia pelo clube literário de Arnault descumpria as regras de imparcialidade porque Katarina era coproprietária e membro da instituição.

O desacordo entre os acadêmicos sobre as medidas a tomar e sobre a situação da poetisa desencadeou uma onda de renúncias e o adiamento pela primeira vez em sete décadas da entrega do Nobel de Literatura.

A Academia Sueca, imersa em um processo de reformas instigado pela Fundação Nobel, deve comunicar nas próximas semanas o que acontecerá com o prêmio deste ano.

Arnault foi condenado no mês passado pelo tribunal de Apelação de Estocolmo a dois anos e meio de prisão por dois casos de estupro de uma mulher em outubro de 2011.

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