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Escritores têm espaço exclusivo em Frankfurt para discutir política

Espionagem americana e Amazon estarão na mira de autores convidados ao 'secreto' Frankfurt Undercover

Maria Fernanda Rodrigues, Enviada Especial / O Estado de S. Paulo

08 de outubro de 2014 | 07h39

Atualizada às 8h55.

FRANKFURT - Há dois anos, os organizadores da Feira do Livro de Frankfurt começaram a pensar na criação de um espaço exclusivo para escritores, onde eles poderiam “pensar e recarregar a bateria”. Isso porque sabiam que o evento não era muito interessante para eles, que só viam gente para cima e para baixo tentando ganhar dinheiro com livros.

A ideia saiu do papel este ano motivada pelo atual cenário internacional: conflitos ideológicos e religiosos, extremismos, fanatismos e violência, espionagem americana, mudanças climáticas, crise econômica, etc. Por isso, além de criar esse espaço de respiro, os organizadores e a escritora dinamarquesa Janne Teller convidaram 28 autores de diferentes países para um encontro inusitado e reservado que teve início nesta quarta, 8, e terminará na sexta-feira, 10. 

Durante três horas pelas manhãs eles se reúnem no Author Lounge – nenhum editor, agente ou curioso pode entrar – para discutir livremente temas de interesse geral. Na mira, além dos assuntos políticos, econômicos, sociais e bélicos estão ainda questões como as práticas da Amazon, consideradas por muitos como prejudiciais para o bom funcionamento do mercado editorial internacional e uma das responsáveis pela quebra de pequenas livrarias. 

Dessa iniciativa, que ganhou o nome de Frankfurt Undercover, sairá um documento que será enviado a políticos. Seu conteúdo deve ser revelado na sexta-feira.

“Essas discussões estão presentes na mídia diariamente, mas agora poderemos ter a opinião de escritores, a partir do ângulo deles que é a condição humana”, disse Jüergen Boos, presidente da Feira de Frankfurt. “Será uma experiência interessante reunir pessoas que poderiam estar brigando por uma ideia ou se entediando”, comenta Janne Teller.

Autores. Os escritores convidados são: Fadhil Al-Azzawi, Melten Arikan, Marica Bodrozic, Steffen Brünel, John Burnside, Vanessa Fogel, Olga Grjasnowa, Arnon Grünberg, Oscar Guardiola-Riviera, Joseph Haslinger, Gail Jones, Esther Kinsku, Maly Kiyak, Michael Kleeberg, Katri Lipson, Afrizal Malna, Jagoda Marinic, Charl-Pierre Naudé, Tom Rachman, John Ralston Saul, Moritz Rinke, Michael Schischkin, Samuel Shimon, Tzveta Safronieva, Steven Uhly, Najem Wali e Stefan Weidner. 

A 66.ª edição da Feira do Livro de Frankfurt, a maior do mundo, começou na noite de terça-feira, dia 7, com discursos de políticos da Alemanha e da Finlândia - o país homenageado deste ano - e de Sofi Oksanen, autora de Expurgo (Record), que também fez um discurso político, mas muito menos polêmico do que o de Luiz Ruffato em 2013, quando o Brasil estava no palco principal como o convidado de honra. Nesta quarta, a feira foi aberta a profissionais da cadeia do livro e foi dada a largada para a descoberta - e compra dos direitos - do próximos best-sellers.
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