David de la Paz/EFE
David de la Paz/EFE

Escritores e personalidades lamentam a morte de Rubem Fonseca

Romancista e contista vencedor do prêmio Camões morreu aos 94 anos

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2020 | 15h29

Escritores, intelectuais, artistas e personalidades lamentaram a morte do romancista e contista Rubem Fonseca, aos 94 anos, nesta quarta-feira, 15. O autor de Agosto e Feliz Ano Novo sofreu um enfarte em seu apartamento, no Rio de Janeiro.

O escritor André de Leones, leitor contumaz da obra de Fonseca, afirmou ao Estado: "Rubem Fonseca é tão imprescindível em 2020 quanto era em 1963, ano em que publicou seu livro de estreia, Os Prisioneiros. Acho importante ressaltar isso porque a recepção de sua obra sofre em várias frentes, seja com a má vontade em relação aos livros mais recentes (como o excelente Amálgama, que resenhei para este jornal), seja com as leituras preguiçosas e contaminadas que ainda se faz por aí. Seu trabalho como passeador noturno das nossas ruínas não se esgotou com o término da Ditadura Militar, conforme demonstram obras-primas posteriores como O Buraco na Parede e Pequenas Criaturas. Pelo contrário, a brutalização que sua obra investiga só se adensou nas últimas décadas e, sobretudo, nos últimos anos. Seus contos e romances traduzem à perfeição a atmosfera asfixiante do nosso país falhado, enfermo e em processo de implosão."

Um de seus sucessores no gênero policial, Raphael Montes disse ao Estado: "Perdemos Rubem Fonseca, o maior autor da nossa literatura, um mestre que influenciou o meu trabalho e, sem dúvida, o de muitos outros. Com seus contos e romances, em que predominam a brutalidade sarcástica e a violência urbana, num estilo afiado à faca, Fonseca flertava com o policial, elevando o gênero a um novo patamar, como fizeram os grandes mestres Raymond Chandler, Dashiel Hammet e Patricia Highsmith. Sua produção volumosa e o sucesso de público fizeram alguns críticos torcer o nariz nos últimos anos, o que só confirma sua potência provocadora e a mesquinhez de nossos tempos."

Outra escritora que se pronunciou ao Estado foi Patricia Melo: "Conheci o Rubem Fonseca através da Suzana Amaral. Ela queria filmar O Caso Morel e me convidou para escrever o roteiro. Na época, início dos anos 90, eu já tinha lido todos os seus romances, era fã da sua literatura. Nos tornamos grandes amigos, e trabalhamos muito juntos, escrevendo roteiros para cinema.  Pouca gente sabe mas no meu livro O Matador, o dentista que oferece dinheiro para Máiquel matar o estuprador de sua filha, é um personagem de Zé Rubem, do conto O Cobrador. No conto do Rubem, o cobrador que tem imensa consciência da injustiça social no país e decide sair por aí cobrando tudo o que o mundo lhe deve, escola, saúde, whisky, vai ao dentista sofrendo, com um dor de dente infernal.  E quando no final da consulta, o dentista quer lhe cobrar, o cobrador lhe dá um tiro no joelho. Quando conheci o Zé Rubem, brinquei com ele: “Vou te fazer um favor e matar aquele dentista safado no meu novo romance.” Mas homenagem mesmo ao Zé Rubem eu fiz em Jonas, o corpromanta, no qual Rubem é um personagem. Diziam tanto que a minha matriz era Rubem Fonseca, que resolvi brincar com esta ideia. Aprendi muito com ele. Rubem era meu melhor amigo. Meu coração está partido."

O escritor português Valter Hugo Mãe publicou uma foto com Fonseca em suas redes sociais e afirmou: "Desolado com a notícia da morte de Rubem Fonseca, essa maravilha das letras do mundo. Querido amigo, querido magnífico escritor que tanto me honrou, tanto me inspirou. Adeus, mestre. Obrigado.

O escritor Joca Reiners Terron também lamentou a perda: "Morreu Rubem Fonseca (1925-2020). Boa viagem e obrigado por tudo, mestre do universo."

A escritora Andréa Pachá prestou sua homenagem nas redes sociais: "Viver quase 95 anos, escrever com a potência de Rubem Fonseca, e não se submeter ao mercado, nem negociar com princípios é para poucos e raros. Não é triste uma partida assim. É um privilégio."

José Eduardo Agualusa comentou nas redes que Fonseca foi importante para sua formação: "Tenho todos os livros dele e continuarei a lê-lo, como sempre o leio quando preciso me sentir inquieto para escrever. Escritores morrem quando deixam de ter leitores."

O escritor, tradutor e pesquisador Fábio Fernandes se manifestou em suas redes: "Rubem Fonseca foi a minha grande referência na escrita de ficção e jornalística, junto com Hemingway." 

Sérgio Sant'Anna lamentou a perda e relembrou sua relação com Rubem Fonseca:

 

O ator, escritor e roteirista Hélio de la Peña também publicou uma postagem em suas redes sociais:

 

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