Marcio Fernandes/Estadão
Marcio Fernandes/Estadão

Escritores e mercado editorial lamentam a morte do presidente da Record, Sergio Machado

Empresário morreu nesta terça-feira aos 68 anos, com complicações decorrentes de uma cirurgia

Maria Fernanda Rodrigues e Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

20 Julho 2016 | 11h53

A notícia da morte do presidente do grupo editorial Record, Sergio Machado, de 68 anos, pegou de surpresa os amigos e colegas do mercado editorial que esperavam por sua recuperação. Machado morreu na noite desta terça-feira, 19, com complicações decorrentes de uma cirurgia feita em novembro de 2015, no Rio. Ainda não há informações sobre o velório.

A pedido do Estado, colegas e amigos falaram algumas palavras sobre o empresário e editor.

Luciana Villas-Boas, agente literária e, por 17 anos, diretora editorial da Record:

"Sergio Machado foi um imenso profissional da edição e empresário, capaz de consolidar e ampliar em muito a editora que herdou de seu pai, Alfredo. Como editor, sua marca principal foi o compromisso com a literatura brasileira, que jamais deixou de publicar, mesmo nos tempos mais duros. Sob sua gestão, a Record não só atraiu grandes nomes como lançou autores já canônicos. Como personalidade, o traço principal era a generosidade com o próprio conhecimento. Compartilhava tudo o que aprendera desde a juventude sobre o negócio do livro, apontando as pedras do caminho. Um mestre."

Cristovão Tezza, escritor:

"Pois fiquei absolutamente chocado com a morte dele - não sabia que ele estava hospitalizado. Eu mantive uma relação profissional com ele bastante cordial, ao longo de anos - sob a presidência dele, nas últimas décadas, o grupo Record teve um papel extraordinário de apoio à literatura brasileira, não só pelos nomes consagrados que publica, mas pela atenção que sempre deu a novos autores. É uma grande perda. Então é isso - fiquei realmente chocado."

Lya Luft, escritora:

"A perda de Sergio é inestimável, tanto para a literatura brasileira quanto para sua família, amigos e autores. Considero a Record minha segunda casa. Desde os tempos de Alfredo Machado, quando eu era apenas tradutora da Record, acompanho com muito respeito a trajetória da família e de Sérgio. Grande figura humana, bom amigo, extraordinário e corajoso editor. Grande perda, imensamente sentida."

Lucia Riff, agente literária:

"Estou devastada. Estamos todos muito tristes aqui na agência. O Sérgio foi meu primeiro grande amigo no mercado editorial como agente literária, o primeiro editor que me recebeu, que me acolheu, que deu força para a Agência Riff.  Trocamos alguns e-mails no início do ano, e fiquei cheia de esperanças que ele ficaria 100% bom e que poderia logo voltar para a Record. Não dá pra acreditar! Ele era tão jovem ainda, tão ativo, tão importante para o mercado editorial, tão querido dos seus autores, colegas no mercado brasileiro, e também entre os editores e agentes internacionais. Estou perdendo um amigo querido."

Carlo Carrenho, diretor geral do PublishNews, site especializado na cobertura do mercado editorial:

"O Sergio era super importante, e o que eu gostava era que ele sempre teve um trabalho de valorizar os editores do grupo. Os editores têm autonomia, sempre tiveram liberdade de buscar títulos, autores. Isso é algo que sempre admirei. Comparado com outras editoras, a liberdade na Record era maior. Mesmo com editores novos, sem ser ninguém que aparece no jornal. Ele teve esse papel de ter ajudado a construir um grupo enorme, continuando o trabalho do pai dele. Um cara super simpático, muito legal. Uma vez participei de uma reunião com ele, em inglês, e ele tinha um sotaque parecido com o do Al Pacino. Era um grande contador de histórias."

Cassiano Elek Machado, diretor editorial da Planeta Brasil:

"Sergio Machado teve um papel importante no mercado editorial ao transformar a grande editora Record no grande grupo editorial Record. Sob sua gestão, o grupo incorporou selos históricos, como Civilização Brasileira e José Olympio. Quando comprou esta última, lhe perguntei se isso era parte de uma estratégia de tornar o grupo mais atraente para um eventual comprador estrangeiro. Ele negou, mas, bem-humorado como de costume, respondeu: 'Nós, como uma moça de 18 anos, estamos malhando. Quem sabe um dia não aparece um cara legal'."

Marcelino Freire, escritor:

"Um grande editor é um parceiro, um cúmplice, um incentivador. Com a morte de Sergio Machado perdemos essa figura: que me deixou ser o que eu sou. Ser o que eu escrevo. Agradeço a ele por isso. Pela confiança e aposta, eternamente."

Marianna Teixeira Soares, agente literária:

"Encontrei Sergio Machado poucas vezes, mas me recordo de um homem muito gentil. Sempre o considerei um empresário ousado e corajoso. Hoje penso o quanto gostaria de tê-lo agradecido pelo belo trabalho do Grupo Record, uma empresa que sempre investiu em literatura brasileira e consolidou nomes fundamentais nesse cenário. Um grupo que constantemente reitera essa vocação, com um catálogo primoroso e sempre apostando no novo. Sem dúvida ele deixa um legado importantíssimo tanto para os profissionais do livro quanto para os leitores."

Luís Antonio Torelli, presidente da Câmara Brasileira do Livro

“Uma grande perda para o mercado editorial brasileiro. Sergio Machado revolucionou a Editora Record, modernizou toda sua estrutura editorial e comercial. Editor perspicaz, sóbrio e focado, soube como ninguém escolher autores best-sellers para compor o catálogo da Record.”

Paulo Rocco, presidente da Rocco

"Sergio foi um batalhador, um cara bacana. E muito bem-humorado, sempre com uma interpretação engraçada das coisas. Foi o editor com quem tive mais proximidade. Não tinha isso de sermos concorrentes. Sempre nos respeitamos muito. Trocávamos opinião sobre o mercado. Ele era muito audacioso, confiava no mercado editorial - tanto que comprou várias editoras sem nenhum grupo internacional por trás. Essa foi sua marca. Ele vai fazer muita falta também para as causas editoriais porque, estando certo ou não, ele sempre se posicionou."

Marcos da Veiga Pereira, diretor da Sextante e presidente do Sindicato Nacional de Editores de Livros

"Tenho uma enorme admiração pelo que ele construiu. A Record é uma editora muito séria. E sempre admirei muito seu perfil empresarial, empreendedor. E ele tinha gosto pela parte mais divertida do trabalho, que é conviver com pessoas extraordinárias." 

Jorge Oakim, publisher da Intrínseca

"Sem duvida, o Sergio foi um dos maiores publishers do Brasil. Ao longo dos anos, ele e a Sonia, sua irmã e sócia, conseguiram fazer uma consolidação de várias editoras dentro do Grupo Record. Ele conhecia como poucos o funcionamento do mercado editorial no Brasil e no mundo."

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