Escritores acusam líderes da Europa e África de covardia

Um grupo de importantesescritores, inclusive os Prêmios Nobel Gunter Grass, WoyleSoyinka e Nadine Gordimer, acusaram na terça-feira lídereseuropeus e africanos de covardia política por não destacaram osproblemas do Zimbábue e de Darfur na sua cúpula do próximo fimde semana em Lisboa. O anfitrião Portugal disse que os escritores estão "malinformados". Esta é a primeira cúpula entre União Européia e UniãoAfricana desde 2000. Ela está sendo marcada pela polêmica sobreconvidar ou não o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe,tratado como pária na comunidade internacional. Alguns ativistas também criticaram a participação doslíderes do Sudão, cujo governo é suspeito de financiar milíciasárabes acusadas de atrocidades na província de Darfur. "Não foi reservado um tempo para uma discussão formal ouinformal (das questões de Darfur e Zimbábue). Que podemos dizerdesta covardia política?", disseram os 17 autores africanos eeuropeus em uma carta aberta a seus líderes. O ex-presidente checo Vaclav Havel, que é dramaturgo, é umdos signatários da carta, junto com o alemão Grass, asul-africana Gordimer e o nigeriano Soyinka. João Cravinho, secretário de Estado português para assuntosinternacionais, disse que os escritores desconhecem osobjetivos da cúpula, com a qual a UE espera estabelecer umaparceria estratégica com a África. "Eles estão mal informados sobre a realidade desta cúpula ede seus objetivos", disse Cravinho a jornalistas em Lisboa."Tenho grande consideração por seu trabalho e pelo que elesrepresentam, mas acho que eles não passaram muito tempo aanalisar os objetivos da cúpula." A carta foi divulgada pela ONG Crisis Action e deve serpublicada em vários jornais dos dois continentes. O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, já decidiuboicotar o evento para não ter de dividir o cenário com oveterano líder do Zimbábue. O premiê checo, Mirek Topolanek,também deve se ausentar. Mas a União Africana, que tem 53 países, exigiu que Mugabefosse convidado, e a maioria dos governos da UE aceitou. Alemanha e Portugal, que preside a UE neste semestre, estãoentre os que disseram que o impasse não deveria perturbar arealização do encontro. Mugabe, que neste ano provocou reação internacional devidoà prisão e agressão de dezenas de adversários políticos,tornou-se persona non grata em grande parte da Europa depois devencer uma eleição, em 2002, em que observadores internacionaisapontaram fraudes generalizadas. Mugabe é proibido de entrar emalguns países europeus. (Colaborou Ruben Bicho em Lisboa)

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