Felipe Rau / Estadão
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Escritor Yuval Harari critica movimento de 'políticos autênticos'

Em aula magna no Congresso Nacional, israelense defendeu que políticos 'pensem antes de falar o que lhe vêm à mente'

Mariana Haubert, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2019 | 17h50

Brasília – Considerado como um dos principais escritores desta década, o israelense Yuval Noah Harari defende que os políticos criem "muros com uma porta" entre a mente e a boca. Ele critica ainda o movimento de "políticos autênticos" que imediatamente dizem a primeira coisa que vêm às suas cabeças.

"Eu sei que hoje em dia há um movimento de "políticos autênticos", que imediatamente dizem a primeira coisa que vêm às suas cabeças. Eu não quero políticos autênticos. Eu quero que pensem antes de falar o que lhe vêm à mente", disse em uma aula magna no Congresso Nacional nesta quinta.

"Eu penso na minha própria mente e vejo quanto lixo existe lá. Então eu não quero simplesmente falar a primeira coisa que veio à minha cabeça", completou. Harari é autor dos best-sellers Sapiens: uma breve história da humanidade e Homo Deus: uma breve história do amanhã.

A uma plateia composta majoritariamente de deputados, senadores e servidores do Congresso, que totalizaram mil pessoas, de acordo com a assessoria de imprensa da Câmara, Harari afirmou que as sociedades precisam de "políticos com mentes equilibradas e quietas".

"É comum dizer coisas ruins sobre políticos, e alguns políticos são sórdidos, mas no final o público depende deles. E, mais do que isso, depende das suas mentes", disse.

Momentos antes, ele defendeu que as pessoas precisam ter tempo para "digerir as coisas, para pensar a respeito das coisas mais profundamente", por isso é importante se desconectar às vezes.

"No longo prazo, se você não proteger a sua mente, você simplesmente está sendo levado. Claro que você não pode desconectar completamente, você não seria um político, é parte do seu emprego, mas eu acho que é muito importante achar um tempo e um espaço para estar completamente desconectado, de tempos em tempos", disse.

O professor e pesquisador especializado em tecnologia Ronaldo Lemos conduziu a conversa com Harari. O encontro marcou o lançamento do projeto Modernizar, criado pela Câmara com o objetivo de que o Parlamento possa discutir o futuro.

Durante sua explanação, Harari afirmou que há três principais ameaças ao futuro da humanidade: a crise no meio ambiente, a guerra nuclear e as mudanças causadas pela tecnologia.

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