Henning Mankell, em novembro de 2014. Foto: Rolf Vennenbernd/dpa via AP
Henning Mankell, em novembro de 2014. Foto: Rolf Vennenbernd/dpa via AP

Escritor sueco de romances policiais Henning Mankell morre aos 67 anos

Autor do detetitve Kurt Wallander e ativista social integrou em 2010 a frota humanitária com destino a Gaza interceptada por Israel

AFP

05 Outubro 2015 | 12h57

O escritor sueco de romances policiais Henning Mankell, famoso em todo o mundo pela série de livros protagonizada pelo detetive Kurt Wallander, que apresentava uma visão desiludida da social-democracia escandinava, morreu nesta segunda-feira, 5, vítima de câncer, aos 67 anos.

Henning Mankell, que revelou em 2014 que sofria de câncer, "faleceu de maneira tranquila enquanto dormia em Gotemburgo", região sudoeste da Suécia, anunciou seu editor, Dan Israel, com o qual fundou a editora independente Leopard em 2001.

"Minha ansiedade é muito profunda, mas consigo, em grande medida, controlá-la", confessou Mankell a respeito da doença. O autor sueco, que vivia entre a Suécia e Moçambique, era um dos principais nomes do romance policial nórdico, ao lado de Jo Nesbo, Arnaldur Indridason e daqueles que são considerados os "pais" do gênero, Maj Sjöwall e Per Wahlöö.

Mankell "descreveu os corredores obscuros do modelo nórdico", afirma o jornalista e autor Olivier Truc, especialista no gênero literário noir. "Assumia seu papel de crítico a uma democracia social que traiu a classe trabalhadora", completa.

Henning Mankell vendeu 40 milhões de livros ao longo de sua carreira. Romancista e dramaturgo, deixa uma obra considerável de quase 40 títulos, mais de 10 protagonizados pelo detetive Kurt Wallander, e vários voltados para o público infantil.

Ele era casado com Eva Bergman, de 70 anos, filha do cineasta Ingmar Bergman, falecido em 2007 e com quem o escritor tinha uma boa relação.

Sua série sobre o inspetor Wallander, ambientada no sul da Suécia, teve início em 1991 com o livro Faceless Killers (Assassinos Sem Rosto) e rendeu fama mundial ao escritor, que aumentou depois que a obra foi adaptada para a televisão no Reino Unido em uma série protagonizada por Kenneth Branagh.

"Henning Mankell foi um dos grandes autores suecos de nosso tempo, amado por leitores na Suécia e em todo o mundo", destaca o comunicado da Leopard. "A solidariedade com os mais fracos e os oprimidos atravessa toda sua obra como um fio vermelho."

O autor sueco passava alguns meses do ano em Maputo, a capital de Moçambique, de onde "observava o mundo de um ponto diferente de nossa Europa etnocêntrica", afirmou à AFP em 2011.

Desde que visitou pela primeira vez o continente africano, nos anos 1970, ele gostava de afirmar que vivia "com um pé na neve e outro na areia".

Quando era questionado sobre o lugar que considerava o centro da Europa, respondia "a pequena ilha de Lampedusa, no sul da Sicília", onde chegam a cada ano dezenas de milhares de imigrantes.

Escritor e ativista, Mankell integrou em junho de 2010 a frota humanitária com destino a Gaza interceptada por uma unidade israelense.

"Nenhum bloqueio na história mundial perdurou eternamente (...) ninguém aceita a submissão. Mais cedo ou mais tarde, Israel viverá o que aconteceu com o sistema de apartheid na África do Sul", disse o escritor.

"Sou um homem indignado com as injustiças e as desigualdades", completou.

"A escrita era vital para Henning", declarou Dan Israel, citado pela agência TT, que visitou o autor poucos dias antes da morte. "Ele pensava em escrever um novo livro de Wallander nos 25 anos de aniversário da série, no próximo ano".

"Com certeza acreditava que resistiria por mais tempo contra a doença", concluiu o editor.

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