Chigozie Obioma
Chigozie Obioma

Escritor nigeriano Chigozie Obioma é o primeiro confirmado da Flip 2020

Autor de 'Os Pescadores' e 'Uma Orquestra de Minorias', autor foi duas vezes indicados ao Booker Prize

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

09 de março de 2020 | 16h41

O escritor nigeriano Chigozie Obioma é o primeiro autor confirmado na 18.ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), a ser realizada entre os dias 29 de julho e 2 de agosto, em Paraty. Com pouco mais de 30 anos, já foi duas vezes indicado ao Booker Prize, primeiro por Os Pescadores, e depois pelo romance Uma Orquestra de Minorias, ambos editados no Brasil pela Globo Livros.

“Chigozie Obioma é um criador de histórias familiares delicadamente íntimas, muitas vezes tragicômicas, de apelo universal, que revelam também a cultura e a espiritualidade da Nigéria através das escolhas narrativas e de sua enorme capacidade imagética”, afirma Fernanda Diamant, curadora do programa principal da Flip, por meio de nota.

Em entrevista ao Estado em 2016, Obioma comentou com certa surpresa o fato de seus escritos estarem atingindo tantas pessoas. "A ideia é que eu não estou escrevendo para ninguém. Não estou escrevendo para o Ocidente. Escrevo para o leitor sem rosto. O livro está sendo traduzido para 24 línguas. O que eu preciso pensar é que quando eu escrevo, quero que o leitor veja, sinta e escute o que estou escrevendo. Se alguém em Cabul pode ver, sentir e escutar o que eu escrevi, então isso está bom para mim. Se um nigeriano não ver, sentir ou escutar, eu não me importo. Se um europeu pode e um nigeriano não, não tem problema. Alcancei meu objetivo."

Quem é Chigozie Obioma?

Nascido em Akure, na Nigéria, em 1986, Chigozie Obioma viveu no Chipre e na Turquia antes de se mudar para os Estados Unidos, onde hoje é professor de literatura e escrita criativa na Universidade de Nebraska-Lincoln, em Lincoln. Traduzido para mais de trinta línguas, Obioma mistura em seus dois romances dilemas da Nigéria contemporânea à história e mitos tradicionais do país, capazes de explicar o presente e definir o futuro.

Os Pescadores (2015) mostra como quatro irmãos da família Agwu – pacíficos, unidos e amigos, que começam o livro pescando juntos em um rio da região de Akure (316 km de Lagos) – passam a viver no caos que é instaurado em suas vidas depois da profecia de um “louco” chamado Abulu. 

Em Uma Orquestra de Minorias (2019), o jovem Chinonso, depois de se apaixonar por uma moça rica, tenta transcender sua origem rural ao seu mudar para o Chipre, onde pretende cursar a universidade. Ao chegar no exterior, percebe que continua à margem da sociedade e que está cada vez mais longe de tudo que lhe era familiar.

Ao lado de escritores como Chimamanda Ngozi Adichie, Helon Habila, Chika Unigwe e Teju Cole, Obioma é visto hoje como uma das principais vozes da literatura nigeriana, bem como presença certa nas listas de escritores imigrantes em destaque nos EUA. “A geração dos meus pais já não está mais muito em contato com essa ancestralidade. Depois do colonialismo, a Nigéria se tornou uma sociedade majoritariamente ocidental”, disse em entrevista recente à revista Time.

Flip 2020: Elizabeth Bishop

Em novembro, a escolha de Elizabeth Bishop como autora homenageada da 18.ª Flip gerou revolta nas redes sociais, com escritores, leitores e críticos definindo a decisão como "insultuosa", "politicamente melancólica" e "lamentável", mas a decisão não foi alterada. Bishop é a primeira autora não brasileira a ser homenageada nos 18 anos da Festa.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.