Escritor lança olhar sério sobre a história das piadas

Um barbeiro tagarela pergunta a seucliente: "Como o sr. quer que eu corte seu cabelo?" "Em silêncio!" diz o freguês. Essa piadinha da Grécia antiga é uma das muitas encontradaspor Jim Holt quando ele procurou traçar a evolução das piadasem seu novo livro, "Stop Me If You've Heard This: A History andPhilosophy of Jokes". Escritor científico nova-iorquino, Holt disse que sempreachou as piadas um fenômeno interessante. "É o único campo de atividade criativa em que um estímulocerebral muito complexo, uma pequena tolice, suscita uma reaçãofisiológica maciça", explicou em entrevista. Ninguém sabe quem contou a primeira piada, mas Holt disseque, na antiguidade ateniense, comediantes costumavam reunir-seno templo de Héracles para trocar piadas. Um estudo recente de pesquisadores da Universidade deWolverhampton, na Inglaterra, descobriu a piada registrada maisantiga, que foi contada na Suméria (atual Iraque) por volta de1.900 a.C. A piada é sobre flatulência feminina, mostrando queo humor escatológico sempre foi popular. As piadas podem ter acompanhado o advento da vida urbana,segundo Holt, com o crescimento do comércio e das interaçõeshumanas. As piadas de teor sexual e escatológico são favoritasperenes, disse ele, mas desde meados do século 19 o humorocidental evoluiu, tornando-se um exercício intelectualenvolvendo paradoxos espirituosos. Uma função importante das piadas é dar alívio às pessoas,sob a forma de humor negro, disse ele, mesmo sobre tópicos quepodem parecer inapropriados, como os ataques de 11 de setembrosobre o World Trade Center em Nova York. "Quando as pessoas finalmente começaram a contar piadassobre o 11 de setembro, foi um alívio", disse ele. "E piadassobre o Holocausto. Às vezes essa é a única maneira de daralívio, de maneira terapêutica." Mas Holt diz que já ouviu muitas piadas alemãs sobreAuschwitz que são "simplesmente revoltantes". Com esse tipo depiadas, incluindo as que envolvem raça e deficientes, muitacoisa depende de quem conta a piada e qual é sua intenção. "Eu esperaria que haveria harmonia entre os valores dehumor e moralidade", disse o escritor. "Mas tenho certeza quenão é esse o caso. Acho que deve haver piadas profundamenteimorais que são engraçadíssimas." Holt acha que o humor não é uma qualidade crucial paralíderes e que muitas piadas contadas por políticos sãopéssimas. Mesmo quando são boas, podem ser arriscadas. "Os americanos hoje em dia se ofendem com enormefacilidade", explicou.

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