NECO VARELLA/ESTADÃO
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Escritor João Gilberto Noll morre aos 70 anos em Porto Alegre

Informação foi confirmada por dois membros da família nas redes sociais; causas não foram informadas

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

29 Março 2017 | 08h49

Escritor reconhecido e admirado muito além das fronteiras do Rio Grande do Sul, João Gilberto Noll teve sua morte confirmada pela família na manhã desta quarta-feira, 29. O velório será no Cemitério João  XXIII, em Porto Alegre, na capela 9, e o enterro ocorre às 18h. As causas da morte não foram divulgadas.

Autor de quase duas dezenas de livros, vencedor de cinco Prêmios Jabuti, Noll ganhou notabilidade nos anos 1980 com trabalhos, especialmente contos, profundos e marcantes, como O Cego e a Dançarina, Hotel Atlântico e Harmada (1993).

Seu livro mais recente era Solidão Continental, de 2012. Sobre ele, Noll disse ao Estado na ocasião: "Acho que os seres que sofrem alguma atração maior pela solidão têm no seu mundo interior uma inflamação grave. Aqui, o de dentro é mais dilatado que o de fora. Há casos sem anti-inflamatórios que aliviem".

Na mesma entrevista, Noll comentou sobre o exílio em que colocava seus personagens, apesar de escrever para celebrar a vida. "O instinto de morte, esse estar desaparelhado para a vida prática, ordenadora, construtiva, pode entrar em colapso e a luz entrar. A carnalidade então se expõe. É o que acontece com muitos dos meus protagonistas. Tenho notado ultimamente que a sua essência é a mesma de livro para livro. Não há continuidade de um romance para outro. As circunstâncias mudam. Mas a alma desse homem é a mesma a cada ficção. Esse ser geralmente sem nome, sobretudo em Solidão Continental , se indispõe ferozmente contra as suas próprias circunstâncias, como se ele tivesse sido jogado num mundo que nunca pediu. Por isso, por vezes, a sua quase que sanha paranoide", disse Noll na ocasião.

João Gilberto Noll nasceu em Porto Alegre em 1946. Em 1967, ingressou na Escola de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, curso que abandonou dois anos depois para se mudar para o Rio de Janeiro, onde frequentou a redação de veículos como Folha da Manhã e Última Hora. Nos anos 1970, atua como revisor, professor no curso de comunicação da PUC-RJ e inicia sua carreira literária em livro com O Cego e a Dançarina, em 1980.

Entre muitos prêmios, Noll contabiliza cinco Jabuti, o prêmio da Fundação Guggenheim, em 2002, e o prêmio da Academia Brasileira de Letras (ABL) de ficção, em 2004.

Repercussão

"Descanse, mestre. O Brasil perdeu hoje um dos seus grandes escritores", escreveu no Facebook o escritor Carlos Henrique Schroeder. "Noll e seus sujeitos deslocados sempre estiveram à frente do seu tempo."

Ricardo Lisias também usou as redes sociais para comentar a perda, que classificou como gigantesca. "Estou para publicar um ensaio mostrando como ele e Sergio Sant'Anna foram importantes para a literatura brasileira dos anos 1980, sobretudo para a constituição de formas novas diante da redemocratização", escreveu Lisias. "Não tenho dúvidas de que "Alguma coisa urgentemente" é o melhor conto publicado no Brasil desde 1982."

 

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