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Escritor Germano Almeida é o vencedor do Prêmio Camões 2018

Autor de Cabo Verde foi escolhido para a maior honraria literária da língua portuguesa

O Estado de S. Paulo

21 Maio 2018 | 15h07
Atualizado 22 Maio 2018 | 16h18

O escritor cabo-verdiano Germano Almeida é o vencedor do Prêmio Camões 2018, segundo escolha do júri anunciada nesta segunda-feira, 21, no Hotel Tivoli, em Lisboa.

No Brasil, seu romance O Testamento do Sr. Napumoceno foi publicado pela Companhia das Letras em 1996. O livro foi adaptado para o cinema por Mario Prata, e adaptação levou o Kikito de melhor roteiro no Festival de Gramado em 1997. 

O anúncio foi feito em Lisboa, pelo Ministro da Cultura de Portugal, Luís Filipe Castro Mendes, e pela presidente da Biblioteca Nacional, Helena Severo, após reunião de quase duas horas do corpo de jurados. Almeida é o segundo escritor cabo-verdiano a receber o Prêmio.

Em declarações à Agência Lusa, o escritor afirmou-se “surpreendido”, mas “muito feliz” por constatar que o seu trabalho é apreciado a ponto de receber o galardão maior da língua portuguesa.

“Estou contente, muito feliz por saber que o que escrevo é apreciado ao ponto de me darem um prémio tão prestigiado como o Camões”, disse Germano Almeida.

O júri desta edição foi composto por  Maria João Reynaud, professora jubilada da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (Portugal); Manuel Frias Martins, professor jubilado da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (Portugal); Leyla Perrone-Moisés, professora emérita da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (Brasil); José Luís Jobim, professor aposentado da Universidade Federal Fluminense e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Brasil); pelos PALOP, Ana Paula Tavares, poeta e professora de Literaturas Africanas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (Angola); José Luís Tavares, poeta (Cabo Verde).

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O Prêmio Camões de Literatura foi instituído em 1988 com o objetivo de consagrar um autor de língua portuguesa que, pelo conjunto de sua obra, tenha contribuído para o enriquecimento do patrimônio literário e cultural da lusofonia.

Considerado o mais importante prêmio da língua portuguesa, contempla anualmente autores da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa - CPLP. O vencedor recebe 100 mil euros.

A primeira vez que um escritor africano venceu o Prêmio foi em 1991, com o poeta moçambicano José Craveirinha. Seis anos mais tarde foi a vez de Pepetela, e Luandino Vieira, em 2006, ambos de Angola – Luandino Vieira recusou recebê-lo.  Em 2009, venceu o poeta cabo-verdiano Arménio Vieira e em 2013 o romancista moçambicano Mia Couto.

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Entre os escritores brasileiros que já receberam o Camões estão Raduan Nassar (2016), Dalton Trevisan (2012) e Antonio Candido (1998).

Germano Almeida

Germano Almeida estudou Direito na Universidade de Lisboa e dedica-se à advocacia na ilha de São Vicente. Foi deputado eleito pelo Movimento para a democracia de Cabo Verde e exerceu o cargo de Procurador-Geral da República de Cabo Verde.

No campo literário foi um dos co-fundadores da revista literária Ponto e Vírgula.

O escritor tem a sua obra publicada em Portugal pela editora Caminho, que acaba de editar o seu mais recente romance, O Fiel Defunto

Estreou como contista no início da década de 80 e o seu primeiro romance, O Testamento do Senhor Napumoceno da Silva Araújo, teve os direitos vendidos para vários países e foi adaptado ao cinema. As suas obras são também editadas no Brasil, França, Espanha, Itália, Alemanha, Suécia, Holanda, Noruega e Dinamarca.

Seus primeiros textos foram assinados com o pseudónimo de Romualdo Cruz. Estes relatos, revistos ou reescritos, juntamente com outros até então inéditos, foram publicados em 1994 sob o título A Ilha Fantástica, a que se juntou a A Família Trago, publicado em 1998, obras que recriam os anos da sua infância e o ambiente social e familiar da Ilha da Boa Vista.

O Meu Poeta (1990), Estórias de Dentro de Casa (1996), A Morte do Meu Poeta (1998) e As Memórias de um Espírito (2001) formam aquilo a que se poderia chamar o ciclo mindelense da obra do autor. Em traços gerais, o primeiro e o segundo título retratam a vida social e política do Mindelo, enquanto as Estórias nos remetem para a esfera do privado e As memórias para a esfera da vida íntima. A ideia de ciclo é reforçada pelo fato de que muitos dos personagens circulam com maior ou menor assiduidade pelas quatro obras.

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