Monica Jorge for The New York Times
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Escritor e biógrafo de Hemingway, A. E. Hotchner morre aos 102 anos

Norte-americano também ficou próximo do ator Paul Newman, com quem criou projeto de caridade

Redação, O Estado de S. Paulo

16 de fevereiro de 2020 | 20h14

Escritor e dramaturgo americano – e biógrafo e amigo de Ernest Hemingway –, A.E. Hotchner (1917-2020) morreu no sábado, 15, aos 102 anos, em sua casa em Connecticut, de acordo com seu filho Timothy Hotchner. 

Recentemente, em 2018, ele lançou seu último livro, o romance The Amazing Adventures of Aaron Broom, sobre um menino de 12 anos que tem o mesmo nome do autor e cresceu em St. Louis, como o próprio Hotchner. À época do lançamento, ele disse ao The New York Times que aquele projeto o levaria até o ano de seu centenário. “Eu queria que fosse uma história alegre, algo que comemorasse o fato de você ter chegado à minha idade e, para minha enorme surpresa, ainda ter ideias.” 

Sua infância foi tema de outro livro, lançado em 1972 com o título King of the Hill – no cinema, na adaptação de 1993 de Steven Soderbergh, ele virou O Inventor de Ilusões.

A história de Hotchner e Hemingway (1899-1961) remonta a 1948, quando ele, que trabalhava para a Cosmopolitan e andava abordando famosos para colaborar com a revista, encontrou o autor de Paris é Uma Festa em Havana. Os dois se tornaram grandes amigos e Hotchner virou biógrafo de seu protetor. 

Os altos e baixos de Ernest Hemingway são narrados em Papa Hemingway, lançado em 1966, após a morte do escritor. Esse projeto lhe rendeu um processo frustrado de Mary, viúva de Hemingway, que alegava violação de privacidade. Acredita-se que ela tenha ficado chateada porque o biógrafo contradisse sua versão de que Hemingway teria atirado em si acidentalmente.

O autor, que conheceu muitos escritores, como J. D. Salinger, Tennessee Williams e Gay Talese, foi muito amigo, também, de Paul Newman. A amizade surgiu entre as várias adaptações televisivas que Hotchner fez das histórias de Hemingway. Em The Battler, James Dean foi cotado para o papel, mas Newman assumiu após o acidente de carro que o matou. Os dois pescaram juntos, foram vizinhos e até criaram, depois de uma brincadeira, um lucrativo (mas sem fins lucrativos) império de molhos para salada. A relação dos dois foi descrita pelo autor em Paul and Me, lançado depois da morte do ator.

Outros projetos nos últimos anos incluíram uma coleção de cartas entre ele e Hemingway, além de uma nova edição de suas memórias de Hemingway. Hotchner publicou ainda o romance O Homem Que Viveu no Ritz, biografias de Doris Day e Sophia Loren e o musical Let ‘Em Rot’. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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