ENTREVISTA-Livro de americano sobre cerco a Sarajevo vir filme

O que começou como jornada pessoalpara superar a tristeza pela morte de sua mulher levou BillCarter a Sarajevo durante o longo cerco da cidade na década de1990, onde ele testemunhou um sofrimento terrível e aesperança. Agora, depois de mais de uma década tentando levar ahistória ao cinema, sua experiência será transposta para umfilme de Hollywood. "É inacreditável, eu sei", disse Carter, sorrindo, nosaguão de um hotel em Sarajevo durante visita recente à cidadecom a equipe que fará o filme baseado em seu livro "Fools RushIn". Liderada por Carter e o diretor brasileiro AndruchaWaddington, a equipe foi à capital da Bósnia para procurarlocações possíveis para rodar o filme sobre a vida na cidadedurante o mais longo cerco da história moderna. O filme terá em seu elenco Orlando Bloom e Liam Neeson, e onome do premiado com o Oscar Javier Bardem também foirelacionado ao projeto. A produção será de Elliot Lewitt eOrlando Bloom. "É muito provável que façamos o filme aqui, e é essa nossavontade. Sinto grande confiança em todos", disse Carter,explicando que se sente incentivado pelo apoio prometido pelasautoridades locais. Escritor e cineasta, Carter escreveu o livro em 2004,depois de várias tentativas fracassadas de vender um roteiro aHollywood. "Não consegui juntar tudo. Não consegui o dinheiro, osatores. Acabei dizendo 'não vai dar certo. Vou escrever umlivro"', ele contou. No livro, Carter relata sua própria história: a de um jovemamericano que se vê no meio de uma guerra terrível sobre a qualnão sabe quase nada. Apesar das dificuldades, ele permanece na cidade, ondefaltam água, comida e eletricidade, enfrentando a ameaça defranco-atiradores sérvios bósnios e dos morteiros disparadosdesde as montanhas que a cercam. Carter ficou impressionado com a dignidade dos moradores dacidade. "Este não é um filme sobre a guerra. A história se passa noteatro de guerra, mas é sobre pessoas", disse ele. Seu livro descreve uma vida cheia de surpresas, em meio àguerra. Mesmo as idéias mais malucas podiam se concretizar, comocriar uma ligação via satélite entre os shows da banda de rockU2 na Europa e Sarajevo no auge da guerra, em 1993. As ligações de Carter com a banda irlandesa renderam odocumentário "Miss Sarajevo", produzido em 1995 pelo vocalistaBono e o falecido tenor Luciano Pavarotti. Em seu livro, Carter também escreve sobre festas malucas emSarajevo, o humor negro dos bósnios e a força das relaçõeshumanas. Ele fez vários outros documentários, um deles sobre umcorrespondente da Reuters na Bósnia, Kurt Schork, mortoposteriormente durante combates em Serra Leoa em 2000. Carter contou que, depois da Bósnia, tentou acalmar suamente com a ajuda de um trabalho duro e foi construir casas debarro no deserto do Arizona. "Depois dessa guerra fiquei umpouco louco. Eu não conseguia encontrar o caminho de volta",ele disse.

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