Suzanne DeChillo/The New York Times
Suzanne DeChillo/The New York Times

Elizabeth Wurtzel, autora que popularizou debate sobre depressão, morre aos 52 anos

'Prozac Nation', um de seus livros de memórias, se tornou um marco na literatura de não ficção americana ao colocar o tema para debate

Redação, AP

08 de janeiro de 2020 | 15h58

NOVA YORK — Elizabeth Wurtzel, cujas confissões dolorosas e sem rodeios sobre sua luta contra o vício e a depressão no best-seller Prozac Nation a tornaram uma voz e um alvo para uma geração de ansiosos, morreu na terça-feira, 7, aos 52 anos.

O marido de Wurtzel, Jim Freed, disse que ela morreu num hospital de Manhattan depois de uma longa batalha contra o câncer.

Prozac Nation foi publicado em 1994 quando Wurtzel estava na metade dos seus 20 anos, e gerou um debate que durou a maior parte da sua vida. Críticos a elogiaram por seu candor e a acusaram de autoindulgência e pena de si mesma, maus hábitos que ela reconhecia plenamente.

Wurtzel escreveu sobre crescer numa casa partida pelo divórcio, sobre se cortar quando era adolescente, e sobre ter passado a adolescência numa tempestade de lágrimas, drogas, relacionamentos fracassados e brigas de família.

"Não quero soar como uma garota mimada", ela escreveu. "Sei que em toda vida ensolarada alguma chuva deve cair e tudo o mais, mas no meu caso a histeria enquanto crise é um tema recorrente demais."

A escritora se tornou uma celebridade, um símbolo, e para alguns, o remate de uma piada. A revista Newsweek a chamou de "a famosa depressiva Elizabeth Wurtzel". Ela foi amplamente ridicularizada após uma entrevista com o The Toronto Globe and Mail, de 2002, na qual falava de maneira desdenhosa dos ataques de 11 de setembro do ano anterior.

Mas muitos leitores abraçaram sua história e a creditaram por ajudá-los a encarar seus próprios problemas. A notícia da sua morte foi recebida com luto e gratidão por muitos leitores nas redes sociais.

Entre outros livros de Wurtzel, estão Bitch: In Praise of Difficult Women e More, Now, Again: A Memoir of Addiction. Ensaios seus foram publicados no The New York Times, na revista New York e em outros veículos.

Num artigo de 2015, ela descreveu seu sucesso inicial na luta contra o diagnóstico de câncer.

"Mas vivo numa era de maravilhas e milagres, na qual o câncer pode ser curado como um vírus", escreveu. "Se algum dia voltar a encontrar o câncer, descobrirei uma maneira de enfrentá-lo. Sou judia e, com isso quero dizer: nem o pior me derruba. Mas preferia ter pulado essa parte. Teria sido muito melhor."

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