Edu Lobo e Cacá Diegues revisitam seus passados na Flip

O músico e o cineasta falaram de seus projetos e contaram histórias em uma das mesas desta sexta-feira

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

01 de agosto de 2014 | 23h56

Memórias afetivas e culturais marcaram o último encontro da sexta-feira, dia 1º, na Festa Literária Internacional de Paraty. De um lado, o cineasta Cacá Diegues, que relembrou fatos de sua carreira presentes no livro 'Vida de Cinema - Antes, Durante e Depois do Cinema Novo' (Objetiva), e, de outro, o cantor e compositor Edu Lobo, também voltando ao passado na obra 'São Bonitas as Canções' (Edições de Janeiro), seleção de suas histórias organizada por Eric Nepomuceno.

Edu começou contando como foi 'empurrado' para a música, quando tinha 19 anos. "Eu estudava na PUC e pretendia seguir a carreira diplomática. Foi quando conheci Vinicius de Moraes em Petrópolis e, depois de me ouvir, ele perguntou se eu não tinha alguma melodia para ele letrar. Naquele mesmo momento, nasceu 'Só Me Fez Bem'", contou. "A ironia é que foi um diplomata que me salvou da diplomacia."

Já Cacá detalhou a criação de Xica da Silva, um de seus mais importantes filmes. Segundo ele, foi resultado de um êxtase estético que teve no carnaval, em 1963, quando assistiu ao desfile do Salgueiro em homenagem à Xica. "Foi um espetáculo tão bonito, com cores douradas e figurinos esplendorosos de Fernando Pamplona, que logo me interessei pela história."

O cineasta alagoano conta que o filme não seria realizado se não tivesse encontrado a atriz Zezé Mota para o papel principal. "Além de linda, ela exibia a alegria e a sensualidade pedida pela personagem, que brinca com a escravidão", conta o diretor, que ainda hoje se irrita quando os críticos diminuem a qualidade do longa por conta de sua estética de carnaval. "Isso é ridículo porque o carnaval é o maior teatro de rua da cultura ocidental, encontra-se ali uma dramaturgia extraordinária. Eu quis fazer um filme que não apenas tivesse o ambiente do carnaval, como também de sua estrutura, com comissão de frente, ala das baianas.

A época retratada pelos dois artistas em seus livros foi particularmente rica culturalmente, o que acabava criando certas rusgas. Edu Lobo, por exemplo, não negou que havia um certo estranhamento entre músicos como ele e Chico Buarque e os principais representantes do Tropicalismo, como Caetano e Gil. "Nós usávamos terninho por imposição da gravadora, enquanto eles se vestiam mais à vontade. Talvez por isso os tropicalistas não queriam conversa conosco - acredito que nos achavam velhos demais", divertiu-se Edu que, à época, estava com 23 anos.

O encontro artístico entre Edu Lobo e Cacá Diegues vai finalmente acontecer no final do ano, quando o cineasta começará a rodar sua versão do musical 'O Circo Místico', criado por Edu e Chico. "É o meu projeto do coração", disse Cacá. "Tenho certeza que vai ser o trabalho mais importante da minha vida."

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