NILTON FUKUDA /ESTADAO
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Edison Veiga escreve marionetes em forma de poemas simples e agradáveis

Em ‘Titereiro’, repórter do ‘Estado’ escreve poesias para incomodar a existência e dar conta do amor

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

31 Janeiro 2015 | 03h00

O títere (marionete) das poesias comandadas por Edison Veiga no seu novo livro de poesia lançado pela editora Patuá é, em uma palavra, o mundo: objetivo ousado, mas cumprido com graça pelo escritor e repórter do Estado. Titereiro é a segunda obra de poesia de Veiga, com um elogioso prefácio de Miguel Sanches Neto. A primeira, Enigma (2000), chegou às livrarias quando o autor tinha 15 anos - desde 2009, tem lançado livros entre o jornalismo e a literatura e participado de antologias.

No jornal, Veiga mantém a coluna Paulistices, trabalho que o marcou como repórter da metrópole. Em Titereiro, seus interesses estão na reflexão sobre o mundo e na invenção de um universo particular por meio do poema, sem deixar de lado, afinal, o amor.

“Hoje é quase brega falar de amor na poesia contemporânea. Quase um tabu, por isso fiz essa brincadeira” - a terceira parte do livro, Vinte Poemas de Amor, é como um tributo a Neruda, mas com a qual Veiga evita a mesmice: no Soneto para Você Escrever, à Caneta, tudo que há é um espaço em branco, uma sugestão ao leitor.

Na primeira parte do livro, O Titereiro, ele investe em poemas com invenção, como, por exemplo, Imundando: “Principiei a desconstrução do mundo. / (...) Risquei meridianos, paralelos; / Arrisquei a morte pois a morte é perpendicular à vida / E de meridianos estamos todos setentrionais. / Peguei uma agulha bem pontiaguda / E furei o globo como se bexigasse Terra”, para então, concluir o “lugar” que ao poeta cabe: “Mas foi um estouro tão grande / Que virei bolha de sabão”.

A segunda parte, Algum Velho Álbum, traz poesias que resvalam em histórias mais lineares, como a desconcertante Poesia Crônica: “(...) Não fui trabalhar porque me estava triste. Muito triste. / Era como se morresse, ou melhor: / Transpirasse hipérbatos negativos / Como se houvesse água em pó / Para saciar a sede de quem vive na seca (...)”.

Ou ainda o poema Mais Triste Que Ser Lua É Ser Loser Minguante, que em seis versos define o equilíbrio que o livro aparenta buscar: “No meu sonho / todas as pessoas são tristes. / A diferença / é que umas constroem pontes / Outras / se atiram lá de cima”.

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