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Economista Thomas Piketty discute o acúmulo de capital em Frankfurt

Francês participou de evento diário na Feira do Livro e atraiu bom público para falar sobre sua tese da ameaça representada pelo crescimento acentuado do capital privado

Ubiratan Brasil, Enviado Especial - O Estado de S. Paulo

10 de outubro de 2014 | 10h42

FRANKFURT - O economista Thomas Piketty atraiu um bom público na manhã desta sexta-feira, 10, na Feira do Livro de Frankfurt, interessado em um tema árido, mas que trouxe fama ao francês: a ameaça representada pelo crescimento acentuado do capital privado, sempre maior que o crescimento econômico público, gerando uma concentração de riqueza que pode ameaçar a democracia, caso os governos não tomem nenhuma medida.

Autor do livro O Capital no Século XXI (Intrínseca), Piketty participou do "Das Blaue Sofa", evento aberto que oferece uma série de debates diários de meia hora de duração. A fim de atrair atenção também de um público leigo, Piketty utilizou seu tradicional estratagema, ou seja, a referência a escritores famosos como Balzac e Jane Austen para esclarecer problemas econômicos.

“Há um personagem em O Pai Goriot, de Balzac, que afirma que, mais importante que trabalhar, é acumular capital. Isso me fez pensar se se tratava de uma ideia de Balzac ou se ele se baseava em algo real”, comentou Piketty, notando ainda que, se fosse possível alguém que vivesse na época de Cristo aplicar 1 euro em qualquer tipo de investimento, hoje, caso vivo ainda fosse, teria uma fortuna muito maior que se tivesse trabalhado todos esses séculos.

São argumentos como esse que ofuscam o reconhecimento de Piketty nos Estados Unidos, onde existe a crença arraigada de que só o trabalho produz sucesso. “Mesmo assim, até lá eles perceberam que a desigualdade, se descontrolada, pode ser uma ameaça para a democracia.”

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