Dilma e outros políticos velam corpo de Saramago em Lisboa

Escritor é velado hoje, após chegar em Portugal em um avião das Forças Armadas portuguesas, no qual também viajaram membros do Governo, familiares e amigos do escritor

EFE

19 de junho de 2010 | 18h02

 

LISBOA - Intelectuais, políticos, entre eles a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, dirigentes de esquerda e muitos cidadãos passaram hoje pelo caixão com o corpo do escritor português José Saramago, que morreu na sexta-feira, aos 87 anos, em seu velório na Prefeitura de Lisboa.

 

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O corpo do Nobel de Literatura, que morreu nesta sexta-feira, 18, em sua casa na ilha espanhola de Lanzarote depois de uma falência múltipla de órgãos em decorrência de uma leucemia, é velado hoje no Salão de Honra da Prefeitura, depois de chegar em um avião das Forças Armadas portuguesas no qual também viajaram membros do Governo, familiares e amigos do escritor.

 

O primeiro-ministro português, José Sócrates, foi um dos primeiros a chegar ao velório, pelo qual também passaram muitos de seus ministros. "Saramago foi um grande português, não só como escritor, e deixa uma marca muito profunda na alma portuguesa", afirmou Sócrates, para quem o autor de "Ensaio sobre a Cegueira" é "um dos grandes expoentes" da cultura de Portugal, que contribuiu para a afirmação e difusão de sua literatura.

 

Sócrates, da mesma forma que o candidato socialista às eleições presidenciais de 2011, Manuel Alegre, e o líder do principal partido marxista do Parlamento, Francisco Louçã, do Bloco de Esquerda, também presentes no velório, minimizaram a importância da polêmica que levou o escritor a se mudar para a Espanha em 1993.

 

Em 1993, cinco anos antes de receber o Nobel, Saramago, que se descrevia como um "comunista libertário", deixou seu país para morar nas Ilhas Canárias (Espanha), após o escândalo nos círculos católicos portugueses provocado pelo seu livro "Evangelho", onde Jesus perde a virgindade com Maria Madalena.

 

Denunciando um ataque ao "patrimônio religioso Português", o governo de Lisboa decidiu remover o autor da lista de candidatos ao prêmio europeu para a literatura, o que provocou a sua raiva e seu "exílio" na Espanha.

 

"Saramago sempre foi muito estimado pelos portugueses e sempre esteve em nosso coração", declarou Sócrates, que transmitiu pessoalmente à viúva de Saramago, a jornalista espanhola Pilar del Río, e a seus familiares as condolências do Governo de Portugal e o orgulho por sua herança literária. É o "reconhecimento de um povo e de um Estado", ressaltou Sócrates.

 

Várias personalidades estrangeiras foram ao velório, entre elas Dilma e ministros de Angola e Guiné-Bissau, dois países que também são lusófonos.

 

Centenas de cidadãos também fizeram fila para prestar sua última homenagem ao escritor, custodiados pela guarda de honra da Polícia municipal e cercados por várias coroas de flores, entre elas uma enviada pelos dirigentes cubanos Fidel e Raul Castro.

 

O velório estará aberto ao público até a meia-noite de hoje e amanhã voltará a abrir suas portas até que o corpo parta para ser incinerado no Cemitério do Alto de São João, em Lisboa.

 

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