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'Diário de uma Garota Normal' trata de sexo de forma aberta

O livro se passa na São Francisco dos anos 1970

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

12 Outubro 2015 | 03h00

Minnie é uma garota de 15 anos sem papas na língua – ou melhor, na escrita. Em seu diário, não figuram imagens de fadas ou idealizações do príncipe encantado, mas revelações sobre a descoberta da sexualidade, observações sobre garotos e novas amizades. Foi esse fio da meada que transformou o livro Diário de Uma Garota Normal, da americana Phoebe Gloeckner, em sucesso planetário, a ponto de logo chegar ao cinema, com Bel Powley no papel principal. O livro chega agora ao Brasil, sob a chancela da Faro Editorial.

Minnie é um personagem fictício. Mas é também a adolescente mais realista que se pode encontrar em qualquer mídia, a todo momento. “Eu tinha uma caixa cheia de diários que escrevia quando adolescente, e mesmo quando criança”, conta Phoebe ao Estado, por e-mail. “Durante anos, os escondi, mas, com o tempo, a necessidade de mantê-los em segredo acabou. Comecei a ler esses documentos depois dos 30. Fiquei espantada pela voz que parecia gritar para mim daquelas páginas. A voz era a minha e, no entanto, não era eu. Senti que tinha de pegar aquela adolescente autora dos diários como se ela fosse uma boneca, e sussurrar ao seu ouvido: ‘Vou deixar que você conte sua história’.”

O livro se passa na São Francisco dos anos 1970, quando Minnie já pretende perder sua virgindade. A sexualidade, aliás, faz parte de sua rotina por causa da mãe liberal – é ela, aliás, quem recomenda que o próprio amante saia com a filha. O encontro termina na cama. Diário de Uma Garota Normal foi comparado, por alguns críticos americanos, ao clássico Lolita, de Nabokov.

“Não li Lolita quando adulta”, conta Phoebe. “Li boa parte do livro quando era muito jovem, talvez aos 10 ou 11 anos. Dizendo isto, admito que meus pensamentos atuais sobre a obra de Nabokov são influenciados totalmente pelas opiniões e pelos gostos de uma garota pré-adolescente. A capa de Lolita despertou o meu interesse. O que eu procurava nesse livro e em outros que eram dos meus pais (como Almoço Nu, de William Burroughs, o título me conquistou) era divertimento e informações sobre o sexo. Lolita tinha inúmeras descrições muito ousadas (e portanto, me interessavam), mas não gostei do livro. Ficava gelada enquanto o lia. Me enojava, me assustava. Não havia nenhuma Lolita em Lolita, ela não era uma pessoa real. De certo modo, esperava me identificar com o personagem do título, mas, ao contrário, me senti apagada. Aquilo me deixou revoltada. Era assustador. Odiei. Mas é claro que minha atitude se baseia numa interpretação infantil do livro.”

Desde que o Diário foi publicado em 2002, tornou-se Bíblia para muitas meninas, que não se viam nas obras direcionadas para adolescentes. Phoebe acredita as jovens não são representadas corretamente na mídia. “Em geral, elas recebem papéis limitados. Podem representar a virgem, apresentada como uma conquista em potencial, ou como uma prostituta, que foi ‘usada’ por outros homens, e é ultrajada ou vista como ‘um brinquedo de graça’”, diz. “Mulheres jovens têm sentimentos sexuais e curiosidade sexual tanto quanto os jovens. Entretanto, suas motivações e esperanças nem sempre se equivalem, e essas diferenças são causadoras do drama dos relacionamentos.”

 

DIÁRIO DE UMA GAROTA NORMAL

Autora: Phoebe Gloeckner

Tradução: Autoria não divulgada

Editora: Faro Editorial (312 págs.,R$ 39,90)

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